Índia: Independência com hora marcada

Como a Inglaterra se preparou para libertar a Índia, a colônia mais cobiçada do império.

Rodrigo Cavalcanti Publicado em 01/06/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Há 60 anos, o Império Britânico já não era o mesmo. Se, por um lado, ainda controlava o maior número de colônias no planeta, a ressaca da Segunda Guerra colocara o país em sérias dificuldades financeiras. Como um nobre decadente, que precisa se desfazer de seus bens sem perder a dignidade, o governo inglês buscava uma saída honrosa para o inevitável momento de independência da Índia.

Os ingleses sabiam que estavam perdendo o controle de sua colônia mais cobiçada para um velhinho frágil de 77 anos e apenas 52 quilos, que detonara um movimento revolucionário para a libertação do país. Sem nunca ter atirado em ninguém, a revolução pacífica deflagrada por Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido pelos indianos como Mahatma – “uma grande alma” –, pregava a não-violência como sua principal arma.

Restou ao primeiro-ministro Clement Attlee, azarão que vencera Winston Churchil nas urnas, marcar o dia e a hora para a perda de sua colônia. A partir da 0h do dia 15 de agosto de 1947, o território indiano seria dividido em dois países independentes: a União Indiana, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana.

Para reconstituir em detalhes a independência indiana, o jornalista francês Dominique Lapierre, repórter da Paris Match, e o jornalista inglês Larry Collins, ex-correspondente na França da United Press e da Newsweek, se uniram em meados da década de 70 para uma investigação sobre o tema. Além de Gandhi, o principal destaque do livro que nasceu da investida, Esta Noite a Liberdade (que no Brasil só pode ser encontrado em sebos), vai para o lorde Louis Mountbatten, encarregado pelo governo inglês de coordenar a independência. Como Mountbatten estava vivo quando os jornalistas lançaram o livro, em 1976 (ele foi assassinado em 1979 por integrantes do IRA, o exército revolucionário irlandês), sua versão sobre os acontecimentos termina, de certa forma, predominando sobre a leitura. Nada, porém, que macule o trabalho de investigação de uma das mais importantes parcerias jornalísticas franco-inglesas.