Júlio Santana: O matador do Araguaia

Livro revela identidade de assassino de aluguel que assassinou uma guerrilheira e torturou José Genoino

Paulo Araújo Publicado em 01/01/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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De agosto de 1971 até o último mês de junho, o maranhense Júlio Santana matou sob encomenda 492 pessoas. Apenas cinco delas não foram registradas num caderno que guardava até pouco tempo atrás, com data, local do crime, preço e nomes dos mandantes e vítimas.

Neste último tópico do caderno constam os nomes de José Genoino, ex-deputado federal, e da estudante secundarista Maria Lúcia Petit. Ele levou um tiro no braço. Ela foi morta. Ambos participavam da guerrilha do Araguaia, movimento organizado pelo Partido Comunista do Brasil contra a ditadura militar com o objetivo de criar um núcleo de guerrilha rural em 1972. Júlio, na época, tinha apenas 17 anos e se envolveu na história porque conhecia bem as matas onde os guerrilheiros estavam embrenhados.

A história do matador de aluguel é contada no livro O Nome da Morte (Planeta), de Klester Cavalcanti, editor da revista Vip. O autor, que teve acesso ao “caderno das mortes”, levou sete anos até convencer Júlio a revelar seu nome – condição para que escrevesse o livro.

Klester cruzou as informações do caderno com documentos de cartórios, delegacias e organizações não-governamentais. Assim, teve certeza de que ele era o assassino de Maria Lúcia Petit. Quanto a Genoino, o jornalista foi procurá-lo para conferir os dados. “Ele ficou muito emocionado com a riqueza de detalhes do relato de Júlio no dia da captura no Araguaia, principalmente a tortura que sofreu”, diz Klester. “O matador confessou coisas que fez com Genoíno que este nunca tinha dito a ninguém.”