A KGB ataca novamente

José Sérgio Osse Publicado em 26/05/2009, às 02h21 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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No colégio, Vladimir Putin era chamado de “uti Puti”, ou “pato Putin”. Sua turma criava patos, e a professora pediu um voluntário para sacrificar alguns. Só o pequeno Vladimir aceitou. Com a mesma eficiência, Putin foi espião da KGB, o antigo serviço secreto soviético. Virou presidente da agência, que desde 1995 se chama FSB. Saiu em 2000, para ser presidente da Rússia, cargo que deixou em maio, quando se tornou primeiro-ministro. O caso do pato abre o novo livro A Era dos Assassinos (Record), escrito pelo historiador russo Yuri Felshtinsky. Amigo de Alexander Litvinenko, ex-agente da KGB morto com contaminação por plutônio em 2006, o autor é expert na FSB. Na entrevista, ele diz que a agência de onde saiu Putin controla a Rússia e estimulou a invasão da Geórgia e do território da Ossétia do Sul, ocorrida em agosto.

O que diferencia a KGB da FSB?

A KGB era uma ferramenta do Partido Comunista. Já a FSB tem total liberdade. Por isso, é hoje a organização mais poderosa do país. A KGB só matava alguém no exterior com permissão. A FSB toma essa decisão sozinha.

A FSB tem relação com o conflito deflagrado na Geórgia?

Ela vinha instigando os separatistas da Ossétia do Sul, que querem independência da Geórgia. A agência deu passaportes russos aos ossetianos. Quando os georgianos iniciaram as operações contra a Ossétia do Sul, Moscou alegou que precisava defender seus cidadãos. Se a Rússia pode usar armas por cidadãos no exterior, isso abre um precedente grave. Há muitos russos no Cazaquistão e na Bielo-Rússia.

Era amigo de Alexander Litvinenko?

Conheci Litvinenko em 1998, em Moscou. Nos falamos pela última vez em 2006, em Londres. Ele, que tinha rompido com a agência, recebeu a cidadania britânica e me disse que estava fora do alcance da FSB. Foi envenenado pouco tempo depois.

Em 2007, agentes da FSB teriam sido mandados a Boston para assassiná-lo. O senhor tem medo?

Como sabemos, ainda estou vivo. Sou cuidadoso, mas é só o que posso fazer. Troquei Moscou pelos Estados Unidos para ser livre, e uma rotina com seguranças limitaria essa liberdade.