Latifúndio brasileiro: É muita terra

Castelo era sede do maior latifúndio do mundo

Luiz Muricy Cardoso Publicado em 01/06/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Quando morreu, em 1609, Garcia D’Ávila era um dos homens mais ricos da colônia. “Aquela noite fomos ter á (sic) casa de um homem rico. (...) Tem tanto gado que não lhe sabe o numero (sic)”, escrevia, em 1584, o padre Fernão Cardim. Os descendentes de Garcia multiplicaram o patrimônio. Por volta de 1700, a família D’Ávila estava no auge de sua exploração do Nordeste. O castelo havia se tornado a sede de um terreno que se estendia da Bahia até o Maranhão. Eram nada menos que 800 mil quilômetros quadrados, o equivalente a um terço do território brasileiro da época. A área, igual a Portugal, Espanha, Holanda, Itália e Suíça somadas, formava o maior latifúndio do planeta naquela época.

Eles estavam em todas

Os D’Ávila participaram de episódios importantes

1549 - Garcia D’Avila chegou ao Brasil na mesma expedição em que estava Tomé de Souza, o primeiro governador-geral da Colônia. Ganhou terras e o importante cargo de “feitor e almoxarife da Cidade do Salvador”. Dois anos depois, começou a construir seu castelo em uma encosta.

1630 - Durante a segunda invasão holandesa ao Nordeste, o dono do local, Francisco Dias de Ávila, deu abrigo e doou soldados e mantimentos para Giovanni di San Felice, um conde italiano que liderava as forças portuguesas de resistência.

1823 - Durante a guerra que portugueses e brasileiros travaram na Bahia após a proclamação da independência, os D’Ávila doaram armas para os destacamentos favoráveis à independência da Colônia. Como recompensa, três homens da família ganharam títulos de nobreza.