Marc Bloch: quando o acadêmico é testemunha

A História, a guerra, a resistência reúne textos, cartas, diários e fotos do historiador francês que participou de dois grandes conflitos do século 20

Lúcia Monteiro, de Paris Publicado em 01/05/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Nascido em 1886 em Lyon, Marc Bloch lutou em duas guerras e ainda fez parte da resistência francesa contra a ocupação nazista. Isso, na opinião de Bloch, não o diferenciava de outros homens de sua geração. O que fez dele um homem excepcional? Bloch já era historiador em 1914, quando se alistou voluntariamente para a Primeira Guerra. No exército francês, ele se tornou oficial nos primeiros anos de combate. De volta ao lar, levava, além de condecorações, muitas fotografias e cadernos nos quais anotara desde a geografia de vilarejos perdidos até descrições de batalhas, narrando a morte de soldados a seu lado.

Em 1939, Bloch alistou-se voluntariamente, de novo. Aos 53 anos, já professor universitário e com seis filhos, deixou tudo para cuidar do fornecimento de combustíveis do exército francês na Segunda Guerra. Em março de 1944, foi preso pela Gestapo. Era judeu. Foi torturado e morreu, provavelmente fuzilado, três meses depois.

A história de Bloch pode ser lida em L’Histoire, la Guerre, la Résistance (A História, a Guerra, a Resistência), lançado na França, no início deste ano, pela editora Gallimard (28 euros), que já vendeu 13 000 exemplares – seu filho Étienne colaborou na edição das anotações.

Marc Bloch é, ao mesmo tempo, historiador e testemunha dos fatos. Esta é sua singularidade?

Jean-Louis Panné: Marc Bloch tinha um senso de observação extraordinário. Para ele, passado e presente estavam estreitamente ligados. Na França, de dez anos para cá, o mercado editorial tem recebido uma enxurrada de diários de guerra. Mesmo assim, ele é um caso único.

Qual a participação de Étienne Bloch, filho de Marc, na edição do livro?

Jean-Louis Panné: Étienne trouxe-nos cerca de 50 fotos inéditas do front, legendadas pelo pai. Ele nos revelou também um artigo sobre o cerco a Montpelier, durante a Segunda Guerra, que nunca havia sido publicado.