Museu do Chocolate de Barcelona

Espanhóis se apaixonaram pelo doce de cacau descoberto pelos povos pré-colombianos

Endrigo Coelho Publicado em 01/11/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Que Suíça, que nada! Depois que as antigas civilizações que habitam o território onde hoje é o México descobriram os doces usos do cacau, foi a Espanha que se tornou a nação mais achocolatada do mundo. Mais especificamente a cidade de Barcelona. Isso graças ao porto local, que recebia o produto proveniente da América (após a época dos descobrimentos, os europeus se encantaram com a delícia, que chegou a ser usada como moeda por povos pré-colombianos – como os astecas). Não é à toa que a primeira máquina de fabricar chocolate sólido apareceu em Barcelona, no ano de 1777. Por isso, era mais que justo que a capital da Catalunha recebesse um museu para contar essa história.

Nascido em outubro de 2000, o Museu do Chocolate de Barcelona ainda é uma criança, mas tem uma bela coleção. Abriga desde antigas máquinas de produzir chocolate até esculturas feitas com o doce, uma tradição regional. E não é só por dentro que o local respira história. Por fora também. O edifício já foi sede de um convento, que foi destruído durante os combates pela independência da Catalunha, entre os anos de 1713 e 1714. Quase quatro décadas depois, militares espanhóis transformaram o que sobrou do prédio numa Academia Militar. Hoje, o local é o que os catalães chamam de Museo de la Xocolata.

1. Bendito é o fruto

Já que o chocolate vem do cacau, nada melhor que começar contando a história do fruto. No primeiro ambiente do museu, o visitante conhece a trajetória do Theobroma cacao, vegetal nativo do continente americano. A primeira sala do museu explica, entre outras coisas, como os astecas, os maias, os olmecas e os toltecas usavam o cacau há cerca de 3 mil anos e de que forma o fruto virou moeda.

2. Paixão antiga

O museu mais doce da Espanha reserva um cantinho para dar ares contemporâneos à história. É o chamado Espaço Audiovisual, que tem imagens que explicam desde o nascimento do xocoatl – nome que os povos antigos que habitavam a atual região do México deram ao chocolate – até os mais modernos usos do doce no mundo todo.

3. Escultura doce

Na sala Barcelona ficam as criativas obras do Concurso Internacional de Escultura em Chocolate, organizado pelo museu. Há esculturas de carros de Fórmula 1 e de personagens de desenho animado, entre outras. As obras, trocadas a cada ano, ficam em redomas de vidro e recebem tratamento para não derreter nem sofrer ataques de insetos.

4. Prensa açucarada

Era com uma prensa movida a motor que as barras de chocolate eram feitas na Europa a partir de meados do século 19. Engrenagens moviam peças de mármore dentro da máquina e a pasta de cacau saía em forma de tablete nessa pequena tábua redonda preta, à esquerda da engenhoca.

5. Conde Drac

O drac (dragão) é um animal muito cultuado na mitologia catalã, quase tanto quanto na chinesa. O bichinho, que na mitologia foi morto por um cavaleiro e de seu sangue nasceu uma flor, é presença garantida nas principais festas da Catalunha. Josep Balcells, um dos diretores do museu, fez uma homenagem a ele: a réplica de um mosaico de Antoni Gaudí – de chocolate, claro.

6. Compre chocolate

O Espaço Inspiração e Criatividade mostra a relação do chocolate com a comunicação, expondo peças publicitárias datadas do começo do século 20. Lá estão expostos ainda recipientes de diferentes épocas, que contam como o chocolate foi servido ao longo dos tempos – como a mancerina, espécie de xícara peruana do século 17.

7. Ultratriturêitor

O objeto que parece um escorregador chama-se metate e é um moinho manual de pedra usado pelos povos do antigo México para triturar as sementes de cacau. O processo era simples: as sementes eram jogadas lá e amassadas com um rolo no mesmo estilo daqueles de fazer massa de macarrão.

8. Afinando a silhueta

Enquanto moíam e remoíam o cacau no metate, os mesoamericanos iam adicionando água até formar uma pasta grossa. Pronto: esse era o chocolate deles. Quando a especiaria chegou à Europa, no entanto, os produtores quiseram refinar e purificar a pasta. Na parte de cima da refinadora da foto – que é do início do século 19 –, a pasta de cacau era misturada com água fria. Ao passar pelos pequenos rolos compressores, acabava fininha, fininha.

9. Tostex de cacau

A máquina da foto é uma torradeira, que servia para tostar as sementes de cacau antes do processo de trituração. Isso já quando o cacau e o chocolate chegaram à Europa, depois do descobrimento da América. Antes disso, as civilizações pré-colombianas secavam as sementes de cacau no sol mesmo. Depois dessa secagem, as sementes eram mexidas regularmente – na base do pisão – para evitar a formação de bolor.

10. tourada escultural

O artista Julio Carretero é um ícone da escultura em chocolate na região e, por isso, conquistou seu espaço no museu. Carretero assina três das obras que atualmente estão em exposição. A mais antiga é de 2004. Suas esculturas são ricas em detalhes – ele já esculpiu uma cena do filme Ben-Hur e uma tradicional tourada espanhola.

 

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