Museu da infância em Londres

Coleção, que tem até brinquedos de reis, mostra também como viviam as crianças há quatro séculos

Rafael Maranhão Publicado em 01/12/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Depois de dois anos fechado para uma reforma gigantesca, reabre este mês o Museu da Infância, em Londres. Inaugurado em 1974, o lugar recebeu um investimento de mais de 9 milhões de dólares para reacomodar o acervo que conta a história das crianças e adolescentes desde o século 16.

A coleção do museu não se resume a bonecos, bichos de pelúcia, jogos, casas e carrinhos de diferentes tamanhos – embora eles existam aos milhares (só o acervo de bonecas, por exemplo, conta com 8 mil peças, datadas a partir de 1300). No Museu da Infância, o visitante também conhece peças e objetos referentes ao cotidiano infantil. Roupas – como ternos ou vestidos de seda – e equipamentos – como berços de madeira e talheres – dão uma mostra de como era ser criança há 400 anos. O melhor é que todo o acervo está exposto na altura dos olhos da meninada.

O museu também conta com exposições temporárias. Uma delas, chamada Lost in Space, (“Perdidos no espaço”) será aberta em 2007 mesclando objetos realmente vindos do espaço – meteoritos e materiais colhidos em viagens espaciais – com personagens de filmes como Guerra nas Estrelas e outros títulos de ficção científica.

Cerca de 250 mil pessoas visitam anualmente a instituição. O número deve aumentar 25% após as reformas, segundo cálculos da direção.

1. Mamãe, eu quero mamar

Esta garrafa para alimentar bebês, de 1911, foi uma verdadeira revolução na época de sua invenção: resolvia o problema de muitas mães que não podiam amamentar. Além do desenho diferenciado, o vidro da garrafa permitia vê-la por dentro, o que facilitava sua limpeza – antes dele, potes de cerâmica eram usados.

2. Lar em miniatura

A casa de bonecas de Nuremberg é a mais antiga do museu. A data em que foi construída, 1673, está escrita na chaminé. A casinha serve como um importante registro da vida de famílias abastadas da época, já que era construída como uma miniatura da própria casa. Na porta da esquerda há um unicórnio, símbolo que indica que o pai da família que mandou construí-la era químico ou farmacêutico.

3. ABC de madeira

Brinquedos educativos também fazem parte do acervo. Um dos mais antigos são os blocos com o alfabeto. Este, de madeira, é de 1885. Na mesma sala, é contada a história de dois educadores, o alemão Friedrich Froebel e a italiana Maria Montessori – ambos defendiam o desenvolvimento do aprendizado em conjunto com as brincadeiras.

4. Urso popular

Os ursos de pelúcia – ou teddy bears, em inglês – começaram a ser fabricados há pouco mais de um século. No acervo do museu estão 200 bichinhos dos mais diversos países: alguns pertenceram a rainhas, outros sobreviveram a guerras ou viagens pelo deserto. O nome Teddy em inglês vem do apelido do ex-presidente americano Theodore Roosevelt, que governou o país entre 1901 e 1909.

5. No balanço do rei

O cavalo de balanço de 1610, feito de madeira, foi provavelmente um presente para o futuro rei Charles I, então com 10 anos. Charles I teve diversas complicações na infância, como dificuldades para falar e caminhar. Ele reinou entre 1625 e 1649, até ser deposto e executado durante a Guerra Civil inglesa.

6. Carrão velho

Produzido pela tradicional fábrica francesa de brinquedos de madeira Vilac, fundada em 1911, este carrão Chevrolet Blanc et Noir mede em torno de 1,20 m e é vendido até hoje para crianças entre 3 e 5 anos.

7. Quase gente

O museu não tem apenas peças antigas. O Robosapien foi criado em 2004 na China por um ex-cientista da Nasa e vendeu mais de 2 milhões de cópias no Reino Unido. Ele pode reproduzir 67 atitudes humanas, como chutar, dançar, assobiar, arremessar e até soltar pum.

8. A cara de cera

Na coleção de mais de 8 mil bonecas e bonecos do museu destacam-se as de cera, como esta, de 1870, produzida pela companhia fundada por Domenico Pierotti, italiano radicado na Inglaterra. As bonecas de cera tornaram-se muito populares no início do século 19 na Europa por suas feições realistas – para alguns críticos da época, isso tirava das crianças seu poder de imaginação. Esta é forrada com pano e pêlos de vaca. Acredita-se que seu cabelo seria da própria filha do fabricante.

9. Casa Cor

Se a casa de bonecas de Nuremberg é a mais antiga, a mais recente do acervo é a Kaleidoscope, de 2002. A fabricante que doou a casa ao museu, a americana Bozart Toys, investiu em brinquedos produzidos por artistas. A colorida idéia é do arquiteto Peter Wheelwright e da artista plástica Laurie Simmons, ambos americanos. Os móveis da casa levam a assinatura de famosos designers.

10. Coleção estelar

Diversos produtos lançados entre 1977 e 1980 para aproveitar o sucesso da série Guerra nas Estrelas, de George Lucas, farão parte de uma das primeiras mostras temporárias do museu em 2007. São bonecos dos personagens Luke Skywalker, Han Solo e Darth Vader, além de uma espaçonave, veículos, jogos de tabuleiro e espadas de luz.

 

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