Museu Paulista

Também conhecido como Museu do Ipiranga, construção foi idéia do próprio Pedro I

Cláudia de Castro Lima Publicado em 01/02/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

A fachada do palácio em estilo renascentista chama a atenção de quem passa pelo bairro do Ipiranga e tornou-se um ponto turístico de São Paulo. O prédio, construído no fim do século 19 em comemoração à independência do Brasil, hoje abriga o Museu Paulista, também conhecido como Museu do Ipiranga.

A idéia de construir um monumento às margens do rio onde o país foi declarado livre de Portugal partiu do próprio Pedro I, em 1823. Mas acabou abandonada por falta de verbas por quase cinco décadas. O engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, escolhido para tocar a obra, fez uma maquete de gesso de cerca de 3 metros de largura para que nenhum detalhe na construção saísse diferente de seu projeto. Só que a maquete levou quase o mesmo tempo da obra para ficar pronta – de 1885 a 1889 – e ainda saiu mais completa: tem duas alas que nunca foram construídas de verdade por falta de dinheiro (aliás, a tal maquete está em exposição no museu).

Com a proclamação da República, o prédio, concluído em 1890, virou uma repartição pública e começou a ganhar suas primeiras coleções. Foi aberto ao público já como museu cinco anos mais tarde. Hoje, incorporado à Universidade de São Paulo, tem uma coleção de 125 mil peças, formada principalmente por objetos que mostram o cotidiano da sociedade paulistana entre 1800 e 1950 e por coisas que pertenceram à família real.

1. Combate ao fogo

Uma ala do museu é dedicada às transformações que São Paulo sofreu entre 1890 e 1920, com a modernização de serviços públicos. Geridos pelo governo ou por concessões a empresas privadas – especialmente estrangeiras –, os serviços tinham como modelo Paris ou Londres. Um dos objetos expostos é este carro de bombeiros do fim do século 19, movido a tração animal.

2. comércio emergente

O comércio de São Paulo ficou mais intenso quando o século 19 acabava. Produtos chegavam da Europa ou dos Estados Unidos e lojas proliferavam no centro da cidade. Numa das salas do museu, o visitante pode ver fotos, peças comercializadas e cédulas da época. Um dos destaques é a caixa registradora National – e seu anúncio, que avisava: “Preço ao alcance de todos”.

3. Atração principal

A grande estrela do Museu Paulista é o óleo sobre tela pintado por Pedro Américo entre 1886 e 1888. O quadro Independência ou Morte, encomendado para o salão nobre do prédio, foi criado no ateliê do pintor, em Florença, Itália. No salão, há vários estudos feitos pelo artista antes da confecção da pintura, a representação mais conhecida da independência do Brasil.

4. Roupa de baixo

Uma das salas abriga uma pequena coleção de vestimentas usadas por homens e mulheres no século 19. Entre as peças está esta “calça de senhora” – na verdade, uma espécie de calcinha gigante. Feita de cambraia de algodão, ela tinha barra para baixo do joelho e cheia de babados.

5. Be-a-Bá imperial

O museu guarda, por decisão da Justiça, parte das obras do acervo de Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, preso em dezembro último por crime financeiro. Entre as peças do colecionador, raridades como manuscritos da família real. Abaixo, um exercício de caligrafia de Pedro I.

6. Rango burguês

Três salas do Museu Paulista têm uma coleção que recria ambientes internos de residências burguesas. Um deles é o de uma sala de jantar, invenção do fim do século 19. Nela, as cadeiras são de jacarandá e os candelabros são de prata – estes, fabricados na Inglaterra em 1898, foram um presente ao então presidente Campos Salles.

7. Sem cheiro ruim

A preocupação com a higiene pessoal também é do fim do século 19, época em que as banheiras foram incluídas no ambiente doméstico no Brasil. Móveis específicos para a higiene surgiram, como este cômodo-lavatório, comprado em Paris em 1891 por Alberto Santos Dumont – ele mesmo, o pai da aviação.

8. Tração humana

Na sala Marechal Rondon, há uma coleção de cadeirinhas e liteiras, meios de transporte de gente rica, usadas no Brasil até 300 anos atrás. As cadeirinhas eram menores, para apenas uma pessoa, que era carregada por escravos. As liteiras transportavam até duas pessoas sentadas, puxadas por animais (que eram conduzidos por escravos). A cadeirinha ao lado tem cerca de 150 anos.

9. Senhor das armas

Uma coleção de armas brancas e de fogo está em exposição numa sala no segundo andar do Museu Paulista. Há revólveres, fuzis e carabinas ingleses, belgas, austríacos e de outras partes do mundo. Uma das peças mais antigas é a espada curva de 1840, com a respectiva bainha, que tinha a inscrição “PII”, indicando que era da guarda de Pedro II. Ela pertenceu ao tenente-coronel Cândido de Albuquerque.

10. Como ela era

Encomendada pelo museu, a maquete de São Paulo em 1841 pode ser melhor entendida com apresentações feitas a cada meia hora. Nelas, uma narração explica, por exemplo, o lugar em que morava a marquesa de Santos, como era a vida no Convento do Carmo e como era a fachada da antiga igreja da Sé, demolida no início do século 20.

 

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