Museu Villa-Lobos

Casarão reúne partituras e instrumentos do compositor brasileiro

Flávia Ribeiro Publicado em 10/06/2009, às 06h13 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Heitor Villa-Lobos tinha 72 anos quando morreu, em 1959. Em 1961, sua viúva Arminda (1901-1985) inaugurou um museu dedicado ao músico carioca, considerado um dos maiores compositores das Américas. A primeira sede ficava no centro do Rio de Janeiro. Em 1986, a instituição se mudou para uma casa do século 19 na zona sul. Do lado de fora do local, uma concha acústica recebe eventos musicais. Dentro da casa, duas salas expõem objetos pessoais do compositor. Além disso, uma biblioteca revela detalhes do homem que, como ele mesmo afirmou, em sua música deixou “cantar os rios e os mares deste grande Brasil”. Site oficial: http://www.museuvillalobos.org.br

PRESENTE CHORADO
No fim da década de 1920, Villa-Lobos visitou a França com sua primeira esposa, a pianista Lucília Guimarães. Com eles estavam o pianista Tomás Terán e sua mulher, Maria Thereza. Ela levara consigo um violão, feito em 1925 pelo luthier Joseph Bellido. Villa não largou o instrumento, até que acabou ficando com ele.

SHOWS MENSAIS
A última sexta-feira de cada mês é dedicada a saraus gratuitos. Os convidados são variados: corais, conjuntos de harpas, orquestras de cordas e músicos de renome, como o instrumentista Wagner Tiso, o violonista Turíbio Santos e o pianista e maestro Gilson Peranzzetta.

ORIGEM NOBRE
Em 1928, o compositor ganhou um piano artesanal da Salle Gaveau, tradicional loja francesa especializada em música de câmara, inaugurada em Paris em 1847. Principal peça do acervo, o instrumento foi restaurado duas vezes, em 1965 e em 2004.

MATERIAL DE TRABALHO
Dezenas de cotocos de lápis e de borrachas usados para compor estão expostos em uma caixa de madeira, embalagem dos tradicionais charutos cubanos Corona, que ele costumava fumar em grandes quantidades

APETRECHOS PARA FUMAR
Diversos objetos do músico têm relação com uma de suas maiores paixões, o charuto. O museu exibe, por exemplo, uma carteira de couro usada para guardá-los e seu cinzeiro. Villa-Lobos faleceu de câncer na bexiga, doença que alguns amigos relacionaram a seu hábito de fumar

MÚSICA NO PAPEL
Algumas partituras, como a do famoso O Trenzinho do Caipira (Bachianas nº 2), estão expostas ao lado dos instrumentos. Outras ��icam na reserva técnica do museu, mas cópias podem ser acessadas na biblioteca, onde também estão fotos, capas de disco e correspondências.

TRILHA SONORA
Por influência do pai, Raul (1862-1899), funcionário público e músico amador, Heitor começou a praticar violoncelo com 6 anos. Por volta de 1918, tocava o instrumento durante a projeção de filmes mudos no Cinema Odeon, no Rio. Na época, ele usava este violoncelo, fabricado em 1779.

CAFEZINHO
O lado humano do compositor, seus vícios e prazeres dicam evidentes em pequenas peças espalhadas pelas vitrines. Numa delas, fica a xícara em que ele tomava seu cafezinho. Em outras, o tabuleiro de gamão e o taco de bilhar

SONS TUPINIQUINS
Villa-Lobos inovou ao usar instrumentos populares em música erudita. A cuíca, de origem africana, foi usada nos Choros n° 8, 11 e 12. O chocalho de metal, no Choro nº 6, canção em que também se ouve o tambu, outro instrumento indígena. E o reco-reco com surdina, fabricado em Paris em 1924 a pedido do compositor, pode ser ouvido na primeira execução do Noneto na França

PARA ESCOLAS
Uma tradição do museu são os Miniconcertos Didáticos, realizados há 20 anos. Os colégios agendam um dia para levar uma turma, que assiste a várias apresentações. Em outro projeto, o encontro musical entre escolas, são as crianças que cantam.