Museus do mundo: The Cloisters

Museu de Nova York proporciona viagem à Idade Média

Renata Chiara Publicado em 21/07/2009, às 18h45 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Instalado discretamente no Fort Tryon Park, uma área verde no norte de Manhattan, o museu The Cloisters passa incógnito para muitos turistas que visitam Nova York. Trata-se, na verdade, do braço medieval do Metropolitan Museum of Art, o Met, este sim famoso. A instituição surgiu em 1916, quando John Rockefeller Jr. (1874-1960) comprou um estúdio com a coleção do artista George Barnard (1863-1938). O nome The Cloisters se refere aos claustros desmontados de cinco mosteiros europeus e reerguidos em Nova York. O resultado é criticado por quem acha que as construções deveriam ter ficado no velho continente. O que ninguém discute é que a visita ao museu é um ótimo passeio.

Site oficial: http://www.metmuseum.org/visit/visit-the-cloisters

ATRÁVES DA JANELA

A maioria dos vitrais do museu foi minuciosamente restaurada. Em alguns casos, um único exemplar tomou vários anos de trabalho. Além de desfrutar o valor artístico das peças, o visitante ainda tem a agradável surpresa de ver, através delas, a paisagem do rio Hudson.

ESPAÇO RECONSTRUÍDO

Na Sala do Capítulo, os monges se reuniam para discutir assuntos da congregação e ler a Bíblia. Na Idade Média, esses espaços costumavam ficar fora do claustro. A Sala do Capítulo da Abadia de Nossa Senhora de Pontaut, no Sul da França, foi abandonada após a Revolução Francesa de 1789 e chegou a ser usada como um estábulo. Os arcos e bancos estavam em péssimo estado de conservação quando foram adquiridos pelo The Cloisters, em 1935.

INDOMÁVEL

Na Idade Média, o unicórnio representava um animal indomável. Em alguns textos católicos, sua captura e sua morte eram associadas à paixão de Cristo. O museu abriga seis tapeçarias do fim do século 15, que mostram a prisão de um unicórnio. As manchas vermelhas seriam suco de romã, uma fruta que simbolizava fertilidade.

VIRGEM ENTRONADA

Entre os trabalhos de mármore, destaca-se parte de um painel em alto-relevo que adornava uma tumba na igreja de Sant’Eustorgio, na cidade italiana de Milão. Acredita-se que peça, que sobreviveu intacta por quase 700 anos, tenha sido a parte direita de um tríptico em homenagem à Virgem Entronada, que estaria no centro. Na imagem preservada, São Pedro Dominicano ampara três fiéis ajoelhados.

RECANTO ESPIRITUAL

O claustro central foi trazido da abadia de monges beneditinos de São Miguel de Cuixá, situado ao pé do monte Canigou, no sudoeste da França. Construídos no século 12, os arcos trazem figuras de animais e plantas que destoam dos padrões de arte monástica, sempre muito severa. A beleza e o silêncio fazem dele o espaço ideal para meditar, como faziam os ocupantes originais.

GANGUE DA FLORESTA

A coleção de vasos e canecas pintadas a mão não é tão vasta como em outros museus, porém é muito rica. Chama atenção um copo de prata, em tons de azul, do século 15. O desenho ilustra uma lenda medieval a respeito de um vendedor ambulante que é assaltado na floresta por uma gangue de macacos. O objeto pertenceu a vários colecionadores antes de ser incorporado ao acervo, em 1952.

À MODA HOLANDESA

O Tríptico da Anunciação foi uma encomenda do comerciante holandês Jan Engelbrecht ao belga Robert Campin. Como Engelbrecht significa "trazido pelo anjo", Campin situou em um ambiente holandês a cena bíblica na qual o anjo Gabriel anuncia a gravidez da Virgem. O comerciante e sua esposa aparecem na parte esquerda.

RIQUEZA DE DETALHES

Esta cruz de 60 centímetros de altura data do século 12 e foi recuperada de uma abadia na Inglaterra, provavelmente localizada na cidade de Bury St. Edmunds. A peça era usada em lições religiosas. Passagens do Antigo e do Novo Testamentos são narradas em 92 figuras e 98 inscrições talhadas no mármore. O nome do escultor desta obra-prima da arte romântica inglesa nunca foi descoberto.

HORTA AUSTERA

Outro claustro transportado para Nova York é o da abadia de Bonnefont, construída no Sul da França, no fim do século 13. O estilo é simples, com colunas de mármore branco. No jardim original, os monges beneditinos cistercienses (da Ordem de Cister) plantavam ervas medicinais, temperos e verduras. A tradição é recriada hoje no museu, onde são cultivadas cerca de 250 espécies de plantas.