Palavras também morrem

Palavras também morrem

01/12/2007 00h00 Publicado em 01/12/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Precisamos admitir: é quase impossível entender todas as palavras dos textos mais antigos escritos em português. A impressão que temos é que os verbos medievais sumiram da nossa língua. Lá pelos idos de 1214, o nobre dom Lourenço Fernandes da Cunha pôs no papel (ou, melhor, num papiro irregular de 15 por 30 centímetros) os vexames que havia sofrido. O documento, conhecido como “Notícia de Torto”, é um dos cinco mais antigos textos em português. Num trecho, o nobre diz o seguinte: “[...] fur(u) a Ueraci amazaruli os om(éé)s”*. Alguém entende? E olha que isso é português. Acontece que 23% dos velhos termos sumiram do idioma. Uma comparação entre o Houaiss e o Dicionário de Verbos do Português Medieval (DVPM), projeto da Universidade de Lisboa que cataloga as palavras usadas nos primeiros textos da língua, mostra ainda que 3% dos verbos são classificados como arcaicos. Mas tirar palavras em desuso do dicionário é comum em outras línguas. A Espanha fez isso em 1999.