Papel e a Baixa do Câmbio ¿ Um Discurso Histórico de Rui Barbosa: A falta e o excesso

Discurso de Rui Barbosa sobre primeira crise da moeda no país vira livro

Ernani Fagundes Publicado em 01/03/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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O Brasil viveu sua primeira crise monetária em 1888, logo após a abolição da escravatura. Com a liberdade dos escravos, começou a faltar dinheiro em espécie para os fazendeiros pagarem os trabalhadores assalariados. A solução, aparentemente simples – emitir papel-moeda –, foi iniciada pelo gabinete do Visconde de Ouro Preto, um pouco antes do fim da monarquia, e continuada pelo célebre Rui Barbosa, o ministro da Fazenda da República entre 1890 e 1891. As volumosas emissões provocaram a desvalorização da moeda brasileira.

Outra conseqüência da medida adotada por Rui Barbosa foi uma especulação desenfreada na bolsa de valores do Rio de Janeiro. O episódio todo ficou conhecido como Crise do Encilhamento – em referência ao barulho dos investidores, comparado com o nervosismo dos cavalos em dias de corrida (encilhar é o ato de apertar a barriga do cavalo com cilhas, ou seja, cintas de couro, para prender a sela).

O respeitado ministro passou a ser duramente criticado por uma corrente econômica conservadora: eram os “metalistas”, que defendiam medidas que aproximassem a paridade da moeda com o padrão-ouro. A reação de Rui Barbosa, logo após deixar o cargo de ministro, foi um extenso e aplaudido discurso no Senado, proferido em 3 de novembro de 1891. Entre gritos de “apoiado” por seus aliados da corrente “papelista”, ele defendeu não sua honestidade pessoal, e sim a política monetária adotada. Além disso, comparou a situação brasileira à de diversos países que também haviam enfrentado problemas com a conversão ao padrão-ouro.

A fala no Senado foi reunida recentemente no livro O Papel e a Baixa do Câmbio – Um Discurso Histórico de Rui Barbosa (Reler), com prefácio do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. Passados 115 anos, o tema do discurso continua atual, seja pela importância do câmbio na economia, seja pela crítica ao costume brasileiro da época de guardar o dinheiro debaixo dos colchões em vez de optar por investimentos.