Pirataria versão 2.0

Somália resgata uma prática que ficou desaparecida por dois séculos

Ernani Fagundes Publicado em 01/01/2019, às 00h00

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Equipado com aparelhos de GPS, fuzis e lançadores de mísseis, um grupo de marinheiros africanos protagonizou o maior ataque já registrado contra um navio. Foi ousado e bem-sucedido: após dois meses de sequestro, o petroleiro Sirius Star foi devolvido mediante o pagamento de 3,5 milhões de dólares. A ação deixou claro que os piratas profissionais estão de volta.

Houve uma época, do século 16 até o 18, em que os bucaneiros funcionavam como marinhas informais, liberadas pelos reis para agir sem respeitar regras. A partir do século 19, o controle de portos melhorou e garantiu uma vigilância mais eficiente.

Esse quadro mudou nos últimos anos, quando os piratas ressurgiram em um dos países mais pobres (e bem posicionados) do mundo. Localizada no golfo de Aden, que liga o oceano Índico ao mar Vermelho, a Somália vive em guerra civil há 18 anos. Instalados nessa terra arrasada, em 2008 os novos bandidos do mar atacaram 100 navios e arrecadaram 150 milhões de dólares.

Inicialmente, os bucaneiros eram simples pescadores do vilarejo de Ely, que atacavam grandes navios estrangeiros que atuavam ilegalmente na costa da África. Com o tempo, esses jovens, que em geral têm entre 20 e 35 anos, começaram a pedir resgates. A renda fácil atraiu outros somalis. Juntos, eles já somam 2 mil pessoas, bem mais sérias e violentas que o bonachão Jack Sparrow, o famoso personagem do ator Johnny Depp na trilogia cinematográfica Piratas do Caribe.

Saques no mar
Os piratas atuam há mais de 3400 anos

1400 a.c.
Bucaneiros gregos atacam os navios de comércio fenícios. Depois, os alvos preferenciais passam a ser os romanos.

Século 2
O mar da China fica congestionado com navios que querem roubar as cargas de especiarias e de seda.

Século 9
Árabes sarracenos agem no mar Mediterrâneo, em especial nas costas da Sicília, do sul da Itália e da Espanha.

Século 16
Apoiados por seus reis, ingleses, franceses e holandeses saqueiam navios espanhóis e portugueses.

2008
Usando tecnologia e armamento pesado, os piratas ressurgem como sequestradores de embarcações.