Pompeu, o guerreiro de Roma

Ele foi um líder militar habilidoso, que dominou países e ampliou o poder de Roma. Mas caiu diante de Júlio César

Flávia Ribeiro Publicado em 01/01/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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Mais de mil navios piratas tomavam conta do Mediterrâneo e pilhagens e latrocínios aterrorizavam a costa da Itália em 66 a.C. Foi quando 13 grupos de navios romanos atacaram, de surpresa, numa manobra nada simples. Um jovem general, que acabara de receber do Senado poder ilimitado sobre os mares, bolou uma manobra para acabar com os piratas. Seu nome era Cneu Pompeu Magno, ou simplesmente Pompeu. Ele contava com 500 barcos, 120 mil homens e 5 mil cavalos.

Pompeu dividiu o Mediterrâneo em 13 regiões. Se atacasse num só ponto, os piratas teriam tempo de reagir. Se os romanos formassem blocos de soldados pela costa, a surpresa seria tão grande que só restaria aos navios opositores a fuga. A tática de Pompeu deu certo. Os piratas não tiveram como revidar a ofensiva. Muitos escaparam e se refugiaram na Sicília, para onde Pompeu partiu com força máxima. Em 40 dias, o Mediterrâneo estava livre dos que ameaçavam o comércio do Império Romano e mais de 20 mil deles foram capturados.

Esse foi um motivo suficiente para o Senado estabelecer uma lei, a Manília, que dava poder a Pompeu sobre todas as terras fora da Itália. Amparado na legislação, ele partiu para vencer outro grande inimigo de Roma, Mitríades, rei do Ponto (a atual Turquia), e conquistar mais territórios. O general era um militar de hábil senso estratégico e combatia junto com seus soldados no chão ou sobre um cavalo. Dominava a luta com a espada, o gládio (espada curta) e o pilo (tipo de lança). Nascido em 106 a.C., desde a juventude Pompeu era chamado por senadores para resolver problemas com adversários externos. “Pompeu ia para a frente de combate e obteve popularidade com suas façanhas”, diz Norma Musco Mendes, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Assim, ele ganhou inimigos poderosos. O maior foi Júlio César, que decidiu lutar pelo posto máximo em Roma. O processo começou quando ele venceu a Guerra da Gália (a atual França). Depois de derrotar os gauleses, César atravessou com suas tropas o Rubicão, rio que separa a Itália da Gália, em direção a Roma. O Senado já o via como uma ameaça, um futuro ditador. Pompeu, mais moderado, teve o Senado a seu lado.

Aos 58 anos, Pompeu recebeu autoridade dos senadores para impedir os planos de César. Mas esse era outro gênio militar. Os dois generais se enfrentaram na Itália, na Espanha e nos Bálcãs – nas três batalhas, Pompeu foi derrotado. Em Farsália (no norte da Grécia), Pompeu teve o revés definitivo, mesmo com uma cavalaria bem armada. Empunhando lanças, os soldados de César se anteciparam ao exército oponente e mataram cerca de 6 mil combatentes, capturando 24 mil homens. Pompeu, depois de 34 anos de vitórias e aos 59 de idade, se viu obrigado a fugir. Escolheu seguir de barco para o Egito.

O rei do Egito era Ptolomeu, de apenas 10 anos. Por isso, o governo era dominado por um conselho formado por Tódoto, Áquila e Potino. Os três, com medo de César, decidiram planejar uma armadilha para Pompeu. Áquila convocou o tribuno Septimio e o centurião Sálvio, e os três foram receber o barco de Pompeu. O general romano passou para o barco dos conspiradores para ser morto a golpes de punhal e espada. Pompeu teve sua cabeça cortada. Ela foi levada a Julio César, que teria ficado indignado com o crime e mandado matar os assassinos de Pompeu. César terminou nomeado ditador de Roma.

 

Mania de matar

10 dos 12 primeiros césares foram assassinados. Veja alguns dos mais famosos

Júlio César (governou de 59 a 44 a.C.)

Seu assassinato foi planejado por aristocratas romanos, entre os quais Brutus, que, ao contrário do que se pensa, não era filho de César. Morreu a punhaladas pelos conspiradores.

Cláudio (de 41 a 54 d.C.)

Morreu na mesa de jantar. Sua mulher, Agripina, para garantir que o filho Nero assumisse, teria mandado matá-lo. Cláudio comeu um cogumelo venenoso misturado a um prato.

Calígula (de 37 a 41 d.C.)

Um dos mais excêntricos imperadores – nomeou seu cavalo como cônsul –, mandava assassinar inimigos, como os antecessores. Foi morto por guardas numa emboscada tramada pelo Senado.

 

Assim era Pompeu

Conquistador

Em 34 anos à frente dos exércitos romanos, ele conquistou a Armênia, a Sicília, a Capadócia, a região ibérica, a Síria, a Mesopotâmia, a Fenícia, a Palestina, a Judéia e a Arábia. No norte da África, as tropas de Pompeu mataram, em apenas uma batalha, cerca de 20 mil inimigos – só 3 mil conseguiram escapar.

Estrategista

Na região do Ponto (atual Turquia), as tropas de Pompeu ocuparam um monte, abandonado pelo rei Mitríades por não ter água. O general romano calculou que, se havia plantas, encontraria água abaixo do solo. Com muita água, teve tempo de decidir como sitiaria Mitríades. Os romanos mataram mais de 10 mil homens. Mitríades fugiu com 800 cavaleiros.

Adorado pelo povo

A glória militar do general o fez muito popular. Suas conquistas se reverteram em terras, escravos, bens e novas rotas comerciais que geraram riqueza e prosperidade para os cidadãos romanos. Por isso, Pompeu era literalmente festejado pelo povão: em sua homenagem, o Senado ordenava grandes festejos.

 

Para saber mais

Vidas Paralelas, Plutarco, Catedra, 1999

O autor viveu entre 50 e 120 e foi o biógrafo de 47 grandes de Roma

Roma, HBO, 2005

Coprodução da HBO e da BBC mostra reconstituições bem feitas. Confira na programação da TVA.