A primeira edição de O Guarani

Livro de José de Alencar é um dos mais importantes do romantismo brasileiro

Lívia Lombardo Publicado em 01/09/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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Escrito em 1857, O Guarani, de José de Alencar, é uma das mais importantes obras do nosso romantismo. Quem não leu o Diário do Rio de Janeiro daquele ano, onde a história foi publicada, só tem como conhecer a versão original na primeira edição do livro. Nas quatro edições seguintes, o autor modificou a história e corrigiu alguns erros. Hoje, sabe-se da existência de apenas dois exemplares da primeira edição de O Guarany (escrito assim, com “y”). Um e meio estão com o bibliófilo José Mindlin, em sua biblioteca particular em São Paulo.

A saga de Mindlin para a aquisição começou na década de 1960. O bibliófilo ficou sabendo que um grego oferecia o livro no Rio de Janeiro. Mas não conseguiu encontrá-lo. Anos depois, um leilão em Londres ofereceu a obra. “Pedi para um livreiro inglês amigo meu se encarregar da compra”, afirma Mindlin. “E não dei limite para os lances.” Só que, quando o preço chegou a 60 libras, o livreiro achou que estava alto e saiu da disputa. Quem leiloava o livro era o mesmo grego do Rio – que acabou retirando o livro do leilão quando viu que não chegaria ao valor que almejava.

Em 1970, Mindlin achou o primeiro volume da primeira edição no porão de uma livraria no Chile. A obra completa tem dois volumes de dois livros cada. A outra metade nunca foi encontrada.

Mas o bibliófilo ainda queria a obra completa. Em 1977, o livro do grego entrou novamente em leilão em Paris. Dessa vez, Mindlin viajou só para ir ao leilão e conseguiu adquirir o livro completo, por 4 mil dólares. Mas a saga não acaba aí. Ao voltar, Mindlin esqueceu o livro no avião. Três dias depois, a Air France o encontrou – ele tinha ido parar em Buenos Aires.

Em 2006, Mindlin doou parte de sua Biblioteca Brasiliana à Universidade de São Paulo, que vai construir um prédio para abrigá-la. A primeira edição de O Guarani está entre os quase 30 mil títulos doados. “A gente passa, os livros ficam e a biblioteca se dispersa. Com a USP, a continuidade de minha biblioteca está assegurada. Mas, até o novo prédio ficar pronto, tenho uns dois anos para curtir O Guarani em casa.”