Quando nasceu a continência?

Cumprimento usado como sinal de respeito sempre esteve ligado ao universo militar

Alessandro Roveda Publicado em 01/10/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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A origem exata da continência é incerta. Sabe-se que o cumprimento é usado como sinal de respeito, sempre com caráter militar, há séculos. A teoria mais aceita é que ela tenha surgido durante a Baixa Idade Média. “O cavaleiro levantava o visor do elmo para que outra pessoa o identificasse como amigo ou como membro do mesmo grau de cavalaria”, afirma o comandante Antonio Luiz Porto e Albuquerque, ex-professor de História Naval da Escola Naval, no Rio de Janeiro. “Ainda hoje, a saudação é feita olhando para a pessoa cumprimentada, identificando-a como parte das organizações defensoras do Estado.”

Segundo o historiador Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas, há outra hipótese para o nascimento da continência – ou saudação militar. O cavaleiro medieval segurava as rédeas do cavalo com a mão esquerda e levantava o visor do capacete com a mão direita na frente do comandante. Com o gesto, mostrava que a mão direita, que carregava a lança ou a espada, estava livre e disponível para a luta. Os capacetes foram ficando mais pesados e, em vez de levantá-los, os soldados passaram a fazer apenas o movimento de levar a mão até ele.

Hoje, a continência está presente nas forças armadas de todas as nações do mundo. A maior parte delas é a mesma que foi primeiramente adotada pelo Exército britânico, inspirada na dos cavaleiros medievais. De acordo com Antonio Porto, em 1882, a saudação podia ser feita tanto tocando o chapéu com o dedo quanto tirando-o. Em 1890, a rainha Vitória determinou que ela só deveria ser feita se o militar estivesse com o chapéu ou o boné na cabeça. A continência é geralmente prestada em pé, com a mão direita. O sinal é usado até mesmo por terroristas e grupos paramilitares – como os guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Hitler, durante a Segunda Guerra, impôs às forças armadas nazistas uma continência inspirada no famoso “Ave, César” – esta não era uma continência, mas sim um gesto em sinal de respeito ao imperador Júlio César. Ele é feito com o braço direito para cima, num ângulo de 45 graus.