Relato de desespero de Ingrid Betancourt

Relato de desespero de Ingrid Betancourt

Tiago Cordeiro Publicado em 01/04/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

No prefácio, o prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, um sobrevivente do holocausto judeu, adverte: “Leia esta carta. Leia bem. A voz que se dirige a você não o deixará dormir à noite”. Ele tem razão. Cartas à Mãe – Direto do Inferno (Agir) é o relato emocionante de Ingrid Betancourt, ex-senadora e candidata à presidência da Colômbia que, em 2002, foi seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O livro é a transcrição de uma carta da ex-senadora à família, escrita em outubro do ano passado, depois de quatro anos sem notícias.

Trecho do livro

"É importante que eu dedique estas linhas àqueles que são meu oxigênio, minha vida. Àqueles que me mantêm com a cabeça fora d’água, que não me deixam cair no esquecimento, no nada e no desespero. São vocês, meus filhos. (...)Durante anos não consegui pensar nas crianças, pois a dor da morte de papai absorvia toda minha capacidade de resistência. Quando pensava nelas, tinha a impressão de sufocar, não conseguir mais respirar. (...) Hoje posso ouvi-las e sentir mais alegria que sofrimento. Procuro-as nas minhas lembranças e me alimento com imagens que guardei na memória, em cada uma de suas idades. A cada aniversário, canto Happy Birthday para elas e peço permissão para fazer um bolo. Antes, eles se mostravam compreensivos e eu podia fazer alguma coisa. Porém, de três anos para cá, quando reitero o meu pedido, a resposta é ‘não’. Eu não ligo. Se eles chegam com um pão seco ou uma rotineira ração de arroz e feijão, imagino que é um bolo e festejo seu aniversário no meu coração. Quero que vocês saibam que 8 de abril, 6 de setembro e 1º de outubro são sagrados para mim."