Réquiem a presidentes africanos

A matança de chefes de Estado já virou rotina na África. O presidente da Guiné-Bissau é o 17º assassinado em menos de cinco décadas

06/07/2009 06h47 Publicado em 06/07/2009, às 06h47 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

João Bernardo Vieira (1939-2009)
Explosão, metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta, facão

À frente da Guiné-Bissau por 23 anos não consecutivos, morreu em 2 de março passado, horas depois do assassinato do comandante das Forças Armadas, Tagmé Na Wai. O escritor britânico Frederick Forsyth (autor de Cães de Guerra), presente no país no momento do crime, afirma que ele foi ferido numa explosão, atingido por tiros e, por fim, esquartejado por soldados do seu próprio exército.

Sylvanus Olympio (1902 -1963)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

Descendente de escravos brasileiros, primeiro presidente do Togo, foi baleado três anos depois da posse. O mandante do crime, Etienne Gnassingbe Eyadéma, assumiu o posto e lá ficou até morrer, em 2005.

Richard Ratsimandrava (1931 - 1975)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

Ministro do Interior em 1972, no golpe que derrubou o governo de Madagascar, manipulou o Exército e virou presidente em 1975. Foi morto seis dias depois em uma emboscada.

Anwar El Sadat (1918 - 1981)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

Líder do Egito de 1970 a 1981, ganhou o Prêmio Nobel da Paz junto com o presidente de Israel, Menachem Begin, por negociações pacíficas entre suas nações, o que desgostou radicais islâmicos.

Marien Ngouabi (1938 - 1977)
Explosão

Em 1968, assumiu a presidência do Congo Francês. Mudou o nome para República Popular do Congo em 1970 e aproximou o país do socialismo. Morreu em atentado.

Murtala Ramat Mohammed (1938 - 1976)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

No comando da Nigéria desde 1975, prometeu restaurar o Estado civil e combater a corrupção, tornando-se um - "herói". Foi morto por militares.

N’Garta Tombalbaye (1918 - 1975)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

Presidente do Chade desde 1969, François Tombalbaye mudou seu nome para N’Garta na revolução cultural que reafirmava valores autóctones. A nação cindida não gostou.

Laurent Kabila (1939 - 2001)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

Levou um tiro de seu guarda-costas enquanto despachava no gabinete presidencial, na República Democrática do Congo, antigo Zaire.

Abdirashid Ali Shermarke (1919 -1969)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

Presidente da Somália de 1967 a 1969, foi baleado por seu guarda-costas durante atentado em um golpe militar.

Juvenal Habyarimana (1937 - 1994)
Explosão

Cyprien Ntaryamira (1955 - 1994)
Explosão

Presidentes de Ruanda e Burundi, respectivamente, foram assassinados quando voltavam de uma cúpula entre chefes de Estado africanos, na Tanzânia. O avião de propriedade do ruandês explodiu durante um atentado.

William Richard Tolbert (1913 -1980)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

Presidente da Libéria entre 1971 e 1980 (reeleito em 1975), aprofundou a disparidade econômica no país.

Ahmed Abdallah (1919 -1989)
Míssil

À frente de Comores, desde 1974, quis desarmar o Exército. Em retaliação, um míssil foi disparado contra seu quarto.

Thomas Sankara (1949 - 1987)
Causa desconhecida

Morto durante um golpe liderado por seu braço direito Blaise Compaoré, que governa Burkina Fasso desde então. As circunstâncias de sua morte nunca foram esclarecidas.

Samuel Doe (1951 -1990)
Causa desconhecida

Articulou o golpe que matou seu antecessor, Richard Tolbert, dez anos antes e virou presidente da Libéria. Foi preso e torturado por facções rebeldes antes de ser morto.

Melchior Ndadaye (1953 - 1993)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

Primeiro presidente eleito no Burundi, pertencia à maioria étnica hutu. Foi morto por soldados tutsis a baioneta, durante uma tentativa fracassada de golpe militar.

Ibrahim Bare Mainassara (1949 -1999)
Metralhadora, fuzil, revólver ou baioneta

Presidente de Níger, muçulmano, foi metralhado pelo chefe da guarda presidencial ao voltar de uma peregrinação a Meca, durante um golpe militar.