Roma: dois mil anos de marketing

Para derrotar os cartagineses e assumir o controle comercial do mediterrâneo, os romanos tiveram de aprender a combater no mar

Textos Felipe Van Deursen Publicado em 01/02/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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“Você deve constituir amizades de todos os tipos: nomes ilustres, os quais conferem prestígio ao candidato; magistrados, para garantir a proteção da lei. (...) Isso requer conhecer as pessoas de nome, usar de certa bajulação.” Parece, mas não é uma cartilha encontrada nas coisas dos políticos brasileiros em época de eleição. É de um trecho do Manual do Candidato às Eleições (no latim, Comentariolus Petitionis), escrito no ano 64 a.C., em Roma, por Quinto Túlio Cícero. Ele preparou o manual para seu irmão, Marco Túlio Cícero, orador famoso que naquele ano se candidatava ao melhor cargo da República, o de cônsul.

O texto é curto, mas tem conselhos valiosos que os políticos seguem até hoje: fortalecer amizades antigas e conquistar novas, cobrar favores antigos das pessoas que possam ajudar na campanha, decorar o maior número de nomes possíveis, sorrir para todo mundo, ser generoso, fazer promessas mesmo sabendo que não vai cumpri-las, pedir voto pessoalmente na rua, estar sempre cercado de multidões, falar a linguagem do povão e denunciar os podres dos adversários.

“Em Roma, onde havia poder havia corrupção”, afirma a especialista Laura Silveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Naquela época da República, como era preciso conquistar todos os setores representados no Senado, as dicas eleitoreiras do manual deviam ser muito úteis.” E foram: seguindo essas sugestões e explorando bastante o passado dos adversários, Marco Túlio Cícero foi eleito.

 

Outros trechos do manual

IMAGEM É TUDO

“Apesar de os dons naturais valerem muito, (...) um perfil bem forjado pode falar mais alto do que a natureza.”

EU PROMETO...

“Se você promete, essa raiva (que ele vai ter quando você não cumprir) é incerta, futura e se instala em bem poucos. Mas se você nega (os pedidos durante a campanha), provoca irritação no ato e em muitos.”

RABO PRESO

“Não quero que você ostente isso (a corrupção dos adversários) diante deles da maneira a parecer que já planeja uma acusação, e sim que, pelo simples medo, você consiga com facilidade aquilo que busca.