São José

O humilde carpinteiro aceitou a missão de criar o filho de Deus e o protegeu das primeiras perseguições

01/03/2007 00h00 Publicado em 01/03/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Março 19

Nascimento: No século 1 a.C., em Belém

Morte: No século 1, em Nazaré

O humilde José não era um homem das letras, da burocracia ou das leis, mas descendia de Davi, o maior rei de Israel. O Messias, de acordo com os profetas do Antigo Testamento, deveria fazer parte dessa linhagem. E assim aconteceu. O carpinteiro foi escolhido para ser o pai do Salvador na Terra. Ele só precisava dar o nome de Jesus ao filho que iria criar para que todas as profecias fossem cumpridas.

Aceitar essa missão era uma prova de tolerância. Afinal, José estava comprometido com Maria, que tinha sido avisada por um anjo que daria à luz, por obra do Espírito Santo, o Salvador do mundo. O carpinteiro teria motivos de sobra para acusá-la de adultério. Pelas leis de Nazaré, onde ambos moravam, ela poderia ser apedrejada como punição. O amor de José por Maria era tão grande que ele temeu pela saúde dela e do bebê em seu ventre e decidiu fugir com eles durante a noite. Mas não foi preciso. Durante um sonho, um anjo garantiu ao carpinteiro que Maria dizia a verdade e que deveria se casar com ela. José aceitou o destino e deu um exemplo de fé. Era formada a Sagrada Família.

O estilo simples de José serviu de exemplo para Jesus. Ele construía casas, móveis e prateleiras e ensinou ao filho o valor do trabalho. O carpinteiro também foi o responsável pela formação religiosa do Messias. Os dois iam juntos ao Templo de Jerusalém para comemorar a Páscoa. Além de participar da educação do menino, José o protegeu das primeiras perseguições. A primeira delas foi quando teve início o recenseamento obrigatório do Império Romano. Todos os cidadãos deveriam se registrar em sua localidade de origem. Em estágio avançado de gravidez, Maria foi obrigada a partir com o marido de Nazaré para Belém. Nessa jornada, ela deu à luz o Messias. Depois, José protegeu o bebê quando ele e a mulher precisaram fugir para o Egito. O governador Herodes havia recebido a notícia de que um recém-nascido se tornaria o novo rei. Para não perder o trono, ele mandou matar todas as crianças de até 2 anos de idade. José sempre recebia por sonhos as mensagens de Deus para proteger o Salvador.

É quase certo que José já havia morrido quando Jesus iniciou sua vida pública. Ele não é citado pelos evangelistas durante as peregrinações do Messias. Passagens mais detalhadas sobre sua vida estão nos chamados evangelhos apócrifos, livros escritos entre os séculos 1 e 3 que não são considerados sagrados pela Igreja. Um desses textos, A História de José, o Carpinteiro, o descreve como um homem de 90 anos de idade, viúvo e com seis filhos quando os pais de Maria, Ana e Joaquim, anunciaram que procuravam um noivo para a moça. Sacerdotes do templo teriam escolhido 12 homens de 12 tribos de Judá e dito que aquele cujo cajado representasse um sinal divino seria o escolhido. O bastão que José carregava foi o único em que floresceram lírios. Teólogos e historiadores preferem a versão de que José tinha entre 18 e 22 anos quando se casou com Maria, pois as pessoas de sua época viviam até aproximadamente 40 anos.

Foi na Idade Média que a Igreja valorizou José e o reconheceu como santo. Nos primeiros séculos do cristianismo, ele foi esquecido. Só no século 20 o papa João XXIII o incluiu no cânone da missa. Em 1955, José foi homenageado pelo papa Pio XII – tornou-se exemplo de trabalhador e passou a ser chamado também de São José Operário, cuja data de comemoração é 1 de maio, Dia do Trabalho.

No Brasil, a devoção a São José chegou com os portugueses. O santo dá nome a 171 paróquias e as festas em sua homenagem ocorrem em 19 de março, seu nascimento celestial. Em algumas imagens daqui, a figura do santo aparece com botas e não com sandálias. É uma representação da peregrinação que ele fez com Cristo e Maria na fuga pelo Egito. As botas criaram uma identificação com os proprietários de terra do período colonial, que o consideravam protetor da casa-grande.

 

O santo da família

1. José carrega o filho Jesus no colo, representando a missão de cuidar e educar o enviado de Deus. Em outras imagens, ele segura alguns lírios, um símbolo de pureza e uma referência à história de que seu bastão teria florescido.

2. O santo olha para Jesus, num sinal de atenção e cumplicidade do pai para com o filho.

A oração

Ó glorioso São José, vinde em nosso auxílio nas dificuldades em que nos achamos. Tomai sob vossa proteção a causa importante que vos confiamos. Ó, São José muito amado, em vós depositamos toda a nossa confiança. Que ninguém possa jamais dizer que vos invocamos em vão. Vós, que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-nos vossa bondade atendendo a nossa prece. São José, rogai por nós. Amém.

Cordão

Um dos milagres atribuídos ao santo aconteceu no século 17, na Bélgica. A freira Isabel Silllevorts sofria de cálculo renal quando pediu que um sacerdote benzesse um cordão com sete nós e o amarasse em seu corpo. Ela largou os remédios, fez uma novena para São José e se curou. A Igreja permite a devoção ao cordão.