Soldados mirins no Mianmar

País obriga meninos a reforçar suas fileiras

Guilherme Gorgulho Publicado em 01/02/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Um documento divulgado recentemente pela organização não-governamental Human Rights Watch, com sede em Nova York, denuncia o recrutamento, sob coação, ameaças, seqüestros e violência física, de meninos em Mianmar. Crianças de até 10 anos são compradas ou obrigadas a seguir com os recrutadores militares ou civis, que percorrem espaços públicos como mercados, estações de trem e ônibus em busca dos soldados-meninos.

“Nos últimos anos, as Forças Armadas continuaram se expandindo, apesar de perderem um grande número de soldados por deserção”, afirma Jo Becker, diretora da defesa de direitos da criança da ONG e uma das autoras do relatório. Segundo ela, não é possível estimar com precisão o número de jovens que servem nas fileiras da junta militar que comanda Mianmar. A HRW, entretanto, cita entrevistas com 20 ex-soldados que revelam que pelo menos 30% dos recrutas tinham menos de 18 anos, idade mínima legal para o serviço militar.

Sem dados oficiais, calcula-se que o contingente das Forças Armadas do país asiático seja de 400 mil soldados. Entre as unidades militares recém-formadas, praticamente metade é composta por menores. Alguns deles passaram a integrar as linhas de combate aos rebeldes étnicos do país, após desaparecer do convívio de suas famílias sem deixar pistas. “Recrutadores e agentes civis estão pegando meninos de 11 e 12 anos nas ruas. As crianças são literalmente compradas e vendidas”, afirma Becker.