O Templo de Ártemis

Ponto de peregrinação e homenagens à deusa em Éfeso

Maria Carolina Cristianini Publicado em 01/06/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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O matemático Philon de Bizâncio, um dos autores da lista das Sete Maravilhas da Antiguidade, escreveu no século 3 a.C.: “Eu já vi os muros e os Jardins Suspensos da Babilônia, a estátua de Zeus, o Colosso de Rodes, a poderosa obra das grandes pirâmides e a tumba de Mausolus. Mas quando vi o templo de Éfeso chegando às nuvens, todas essas outras maravilhas ficaram à sua sombra”. As palavras dão idéia do que era o templo para Ártemis, deusa ligada à fertilidade e à natureza.

Localizado em Éfeso, antiga colônia grega no sudoeste da atual Turquia, o templo foi construído e reconstruído pelo menos sete vezes. A primeira obra é do século 9 a.C., mas o templo que entrou para a história foi erguido por volta de 550 a.C. e caiu por terra em 356 a.C., quando Herostratus, um morador da cidade, o incendiou – sua intenção era ficar famoso.

Foi a reconstrução dessa obra, feita logo em seguida, com 114 por 55 metros, que se tornou uma das maravilhas. O novo templo foi destruído em 262 pelos godos, povo germânico. “Com o tempo, os moradores se converteram ao cristianismo e perderam o interesse pelo culto à deusa”, diz o historiador Claudio Carlan, da Universidade Estadual de Campinas.

 

A obra

Construção que ficou famosa foi iniciada no século 4 a.C.

Acabamento final

Suspensos por um sistema de roldanas, até 12 blocos cilíndricos eram colocados uns sobre os outros para erguer as colunas. Depois de prontas, com cerca de 20 metros de altura, começava o trabalho de decoração. Artistas esculpiam ornamentos em estilo jônico, em espiral, no topo, além de sulcos até a base.

Casa da deusa

Na parte interior do templo ficava o local de veneração. A estátua de Ártemis, de 15 metros de altura, era feita de ouro, prata e ébano e possuía vários seios – eles simbolizavam a fertilidade.

Força animal

Durante a construção do templo, trabalhadores traziam em carroças puxadas por bois os blocos de mármore, retirados de uma pedreira a 8 quilômetros de distância. Com eles, formaram as 127 colunas que rodeavam o local. Para facilitar o transporte, cada bloco era preso com uma armação, simulando uma roda.

 

A maravilha

Hoje resta no local só uma das 127 colunas originais

Mitologia na entrada

Uma viga horizontal sobre as colunas, chamada arquitrave, decorava a entrada do templo com ornamentos mostrando cenas da deusa. Acima havia uma área triangular, o pedimento, onde foram esculpidas figuras das amazonas (mulheres guerreiras mitológicas).

Arte em mármore

Escultores gregos fizeram entalhes em alto relevo nas bases de 36 colunas. Em tamanho natural, eram coloridos (provavelmente em azul, vermelho e dourado) e mostravam figuras da mitologia grega, como os deuses Tanatos, representando a morte, e Hermes, o mensageiro.

Ártemis nas alturas

Os alicerces do templo foram feitos sobre os restos do que foi incendiado em 356 a.C. Só que, dessa vez, um bloco retangular com dez degraus de mármore foi acrescentado à base do templo, como fundação, para elevá-lo e dar mais destaque à deusa.

Turismo religioso

Pessoas vindas de diversos lugares, como Síria, faziam peregrinações ao local para prestar homenagens à deusa e oferecer-lhe presentes. Os visitantes – de artesãos a reis – tinham à disposição barraquinhas que vendiam cópias da estátua de Ártemis e réplicas do templo.