Termas: no banho romano

Termas: no banho romano

Guilherme Gorgulho Publicado em 01/02/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Um antigo provérbio diz tudo os hábitos do Império Romano: “O banho, o vinho e Vênus consomem o corpo, mas são a verdadeira vida”. As termas romanas eram um dos maiores prazeres da vida urbana na Antiguidade, um dos principais locais de entretenimento. Quase como um clube ou um shopping center hoje em dia – aliás, talvez tudo isso junto.

Até meados do século 3 a.C., os balneários existiam apenas nas propriedades dos ricos. No século seguinte, por iniciativa de imperadores e empresários, termas públicas foram construídas. Para entrar nelas, pagava-se uma pequena quantia, isso quando a diversão não era gratuita. O ápice dos banhos públicos foi lá pelo ano 300 – nessa época, havia quase mil casas do gênero em Roma.

Um banho público não era um lugar voltado apenas para a higiene. Os balneários eram freqüentados também para a prática de esporte, para fins culturais e para tratamentos de saúde. “Até os escravos se banhavam neles”, afirma a historiadora Lourdes Feitosa, especializada em sociedade romana da Universidade Estadual de Campinas.

 

Gente escaldada

As termas romanas reuniam várias formas dediversão num só espaço

Passo a passo

O banhista seguia uma espécie de ritual, embora o caminho não fosse rígido. Primeiro exercitava-se na palestra (pátio). Depois, se despia no apodyterium (vestiário), seguia para a sudatoria para um banho a seco, para o caldarium (banho quente) e para o tepidarium (banho morno) até se refrescar no frigidarium (banho frio).

Aquecimento global

Abastecidas por aquedutos, as termas eram compostas por salas projetadas para manter a água, o piso e as paredes aquecidos pela lenha das hipocaustas. Esses fornos espalhavam o calor por cavidades embaixo do piso e por meio de tubos de cerâmica que subiam pelo interior de paredes ocas.

Negócios e fofocas

Ricos, pobres, escravos, todos procuravam as termas. Lá, conversavam sobre política, tratavam de negócios e também discutiam amenidades. No banho, eles ainda podiam comer, pagando à parte. Um cardápio encontrado na ruína de uma terma mostra que o paladar era eclético. Nele havia pão, nozes, banha e salsicha, entre outras coisas.

Pele de bebê

O trabalho pesado ficava por conta de empregados e escravos das termas, que se dividiam na limpeza e manutenção. Muitos banhistas levavam seus próprios escravos para carregar seus utensílios – e para esfregá-los com o estrígil, um raspador de metal recurvado que servia para tirar a sujeira e o óleo do corpo.

Shopping center romano

Tinha de tudo nos banhos. As famosas termas de Caracalla, em Roma, por exemplo, comportavam até 1 600 pessoas e eram compostas por jardins, passeios, lojas, estádio, biblioteca, museu e salas de repouso, ginástica e massagem. Os pisos e paredes eram revestidos de mármore e adornados com mosaicos.

Homens e mulheres

Geralmente, não havia proibição da entrada de homens e mulheres nos mesmos espaços. Mesmo assim, cada sexo freqüentava as termas num período do dia. As mulheres que apareciam nos banhos no mesmo horário dos homens eram prostitutas ou ficavam com má reputação na cidade.