Terror no Atlântico: u-boats

Os submarinos de Hitler destruíram mais de três mil navios

Fabiano Onça Publicado em 01/05/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Palavras de Winston Churchill, em seu livro Their Finest Hour (1949): “a única coisa que me amedrontou durante a guerra foram os u-boats”. De fato, ele tinha o que temer. Os u-boats (ou “barco debaixo d´água”) eram os traiçoeiros submarinos que Hitler construiu para afundar navios mercantes britânicos. Entre 1939 e 1945, na chamada “Batalha do Atlântico”, ao menos 3 500 navios da esquadra inglesa foram afundados, além de 175 embarcações de guerra aliadas. Nesses ataques, cerca de 30 mil marinheiros perderam suas vidas. Do lado alemão, o prejuízo também foi grande: as baixas somaram quase 28 mil homens – ou 70% dos tripulantes dos submarinos –, que pereceram no mar junto aos destroços de 783 u-boats (a frota era composta por 1 162 embarcações).Mas ingleses e alemães não foram os únicos a padecer. Os u-boats chegaram também à costa brasileira e promoveram batalhas sangrentas por aqui. Só no litoral da Bahia e de Sergipe, eles deixaram 600 mortos – até hoje, foram encontrados dez u-boats naufragados em nosso litoral. Esses submarinos levaram vantagem até 1943, quando os aliados quebraram o código ultra-secreto alemão e conseguiram “ler” a conversa entre eles – o que possibilitou a identificação e localização destas embarcações.

Debaixo d·água

Os u-boats atuavam boa parte do tempo como navios convencionais – ou seja, na superfície. A submersão só ocorria quando estavam sob ameaça, mas isso tinha um preço: a velocidade caía de 18,2 nós para 7,3 nós, a capacidade de manobra tornava-se difícil e o tempo que a nave podia ficar submersa era limitado.

Armamento

O u-boat Tipo IX, que se engajou no maior número de batalhas, tinha seis tubos de torpedo (quatro na proa e dois na popa). Cada tubo continha dois torpedos – um reserva e outro preparado. Cinco contêineres guardavam outros dez, perfazendo um total de 22 torpedos.

Vivo cifrado

Quando um u-boat encontrava uma esquadra aliada, em vez de atacar sozinho, ele chamava outros submarinos, formando uma espécie de alcatéia. Durante dias, grupos de até 30 u-boats reuniam-se silenciosamente em volta das vítimas, para só depois atirar

Insônia

As missões chegavam a durar 12 semanas, tempo no qual todos tinham que conviver num espaço claustrofóbico. As camas ficavam em meio às estruturas do submarino e só o capitão tinha cabine individual

Tripulação

O número de tripulantes variava conforme a versão do submarino. As primeiras, como a II, abrigavam não mais que 25 homens. Já a versão VII comportava 45 homens. E a versão XXI, projetada na fase final do conflito, carregava até 57 tripulantes.

 

Por dentro da máquina

• O tamanho dos u-boats variava de acordo com a versão. O Tipo IX D, por exemplo, tinha 87,58 m de comprimento.

• Essa mesma versão podia submergir até 230 m de profundidade.

• A comida era racionada. O almoço, por exemplo, não passava de sopa, batatas e carne cozida.

• A última versão (Tipo XXI), lançada em 1943, ficava até 11 dias submersa.