O Tesouro de Petra

Monumento mais famoso dos nabateus inspirou outras construções da cidade

Diogo Bercito Publicado em 26/06/2009, às 04h56 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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O caminho de 1,5 quilômetro pelo desfiladeiro é estreito. A largura, em alguns pontos, não excede 4 metros. As paredes de pedra, que se erguem a quase 200 metros de altura, projetam uma sombra que escurece o dia. É quando se chega ao fim do caminho. Depois de uma curva, não há mais parede alguma. Surge então um inesperado monumento de 40 metros de altura, esculpido em rocha nua. A luz, que incide agora sem restrições, ilumina a fachada da construção e empresta a ela tons de laranja, rosa e vermelho, dependendo do horário do dia.

O monumento, que em árabe se chama "Khazneh" ("Tesouro"), é o mais famoso de Petra. Representa um divisor de águas na arquitetura dos nabateus e inspirou as construções subsequentes da cidade, todas esculpidas de cima para baixo e sem invadir mais que alguns metros na rocha. Mas, ao contrário do que sugere o nome, não existiam riquezas no Tesouro. O apelido foi dado pelos árabes, criadores da lenda segundo a qual um faraó teria escondido ali as riquezas do Egito. Não se sabe para que servia a obra, mas supõe-se que teria sido erguida pelo rei Aretas III (que reinou entre 86 e 62 a.C.) em memória de seu pai, Obodas I (governante de 96 até 86 a.C.).

Esplendor e mistério
Construída com o apoio de arquitetos de Alexandria, a obra ainda é pouco conhecida

Selo egípcio

Acredita-se que a construção foi supervisionada por artesãos de Alexandria, cidade egípcia que reunia o que havia de mais refinado na arquitetura da época. A influência fica nítida no estilo do topo das duas torres laterais.

Gêmeos a cavalo

De ambos os lados da porta, estão esculpidas duas entidades mitológicas e seus cavalos, os gêmeos gregos Castor e Polideuco. Prova de que a cultura helenística era forte entre os nabateus.

Outdoor de pedra

O desfiladeiro era o caminho principal até as áreas centrais de Petra. Assim, o Tesouro cumpria uma de suas missões, que era supreender os comerciantes que passavam por ali com suas caravanas.

Religião mista

O sincretismo dos fundadores de Petra fica evidente na figura central do monumento. A deusa com um vaso era venerada como Uzza (entidade nabateia), Afrodite (grega), Tyche (grega) e Ísis (egípcia).

Beleza vazia

No filme Indiana Jones e o Cálice Sagrado, é no Tesouro que está o Santo Graal. No mundo real, do lado de dentro há somente uma sala cúbica de pedras lisas e câmaras de utilidade desconhecida.

Obra incompleta

Usando picaretas e cinzéis, os escultores trabalhavam de cima para baixo. Eles deixaram marcas retangulares, onde eram apoiados seus andaimes. Como os sinais não foram apagados, é possível que a obra não tenha sido concluída.