Como fazíamos sem PIZZA

Pão com cobertura foi o precursor da popular iguaria

Marcus Lopes Publicado em 12/03/2016, às 11h43 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

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Uma das principais heranças gastronômicas que recebemos dos italianos é a pizza. De fato, os italianos aprimoraram as famosas redondas como conhecemos hoje e cuidaram de espalhá-las pelo mundo, mas o hábito de comer um tipo de pão coberto com recheio começou muito antes. 
Três séculos antes do nascimento de Cristo, os fenícios cobriam seus pães com carne e cebola. Esse pão, chamado de piscea, era parecido com o pão sírio, chato e em formato de disco. E, mesmo antes disso, os babilônios, egípcios e outros povos antigos já fabricavam uma massa à base de água e farinha (de trigo, grão-de-bico ou arroz) e assavam em tijolos quentes.
Durante as Cruzadas, no século 11, o pão turco desembarcou no porto de Nápoles. Os italianos gostaram tanto da novidade que começaram a aprimorar a iguaria, utilizando farinha de trigo de boa qualidade e recheios como queijo e linguiça. No século 16 foi acrescentado o tomate, levado da América pelos espanhóis e incorporado à pizza, deixando-a mais ou menos como conhecemos hoje. A diferença é que a massa era dobrada ao meio para comer, como um calzone. O formato redondo só seria popularizado no século 20, para facilitar a vida de quem estica a massa e evitar o desperdício, já que, no formato quadrado, as bordas tinham que ser aparadas.
Em 1889, um padeiro de Nápoles, Raffaele Espósito, fez uma homenagem à Rainha Margarida, esposa do rei italiano Humberto 1, confeccionando uma pizza com ingredientes que lembravam as cores do país: tomate (vermelho), queijo (branco) e manjericão (verde). A rainha adorou o prato. O padeiro, que tornou-se o primeiro pizzaiolo da História, batizou a pizza com o nome da homenageada. A alcunha pegou fácil e está até hoje no cardápio das pizzarias.
No Brasil, as pizzas chegaram com os imigrantes italianos e logo caíram no gosto da população. No começo do século 20, o napolitano Carmino Corvino oferecia em sua cantina no bairro do Brás, tradicional reduto de italianos em São Paulo, as famosas pizzas napolitanas, o que o torna um dos precursores das pizzarias na capital paulista. Corvino, conhecido como “dom Carmeniélo, também pode ter inaugurado o delivery, já que vendia as pizzas pelas ruas da região de sua cantina, em grandes latões e sempre quentinhas.