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10 fatos impressionantes sobre os haréns egípcios

Em uma lógica diferente dos haréns do Oriente Médio, os ipet-nesut abrigavam mulheres e esposas dos faraós, além de empregadas e princesas estrangeiras

Pamela Malva Publicado em 26/01/2020, às 12h00

Pool in a Harem, obra de Jean-Léon Gérôme, feita em 1875
Pool in a Harem, obra de Jean-Léon Gérôme, feita em 1875 - Wikimedia Commons

Famosos e muito polêmicos, os haréns eram práticas comuns no a Oriente Médio e na África, estando presentes em diversos impérios. Recheados de mulheres, os locais tinham diversos papéis políticos e econômicos.

No Oriente Médio, a maioria dos haréns funcionavam de forma parecida, com regras e costumes similares. No entanto, quando o assunto é o Egito, as coisas mudam um pouco de figura.

Confira 10 curiosidades sobre o dia a dia nos haréns egípcios:

1. As moradoras

Em terras egípcias, os haréns eram chamados de ipet-nesut e denominavam um espaço no palácio reservado às mulheres. Lá, moravam as esposas secundárias dos faraós, as mulheres solteiras e viúvas da realeza, filhas, irmãs e outras familiares do governante, noivas estrangeiras, egípcias de alta linhagem, concubinas de nascimento humilde, além de servas e crianças.

2. O dia a dia das mulheres

Mulheres dançando em harém / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo a egiptóloga Chistiane Noblecourt, as mulheres e esposas do faraó se preocupavam muito em demonstrar conhecimento cultural, educação e gostos refinados. Assim, praticavam música, dança, poesia e outros artifícios de sedução. Nesse sentido, escavações realizadas em Akhetaton, atual Tell el-Amarna, mostram que a rainha e as filhas do faraó recebiam aulas de canto, dança, alaúde e harpa.

3. As Casas dos Infantes reais

Nos haréns do Império Antigo, um aposento distinto era chamado de Casa dos infantes reais. Nele, damas da nobreza exerciam função de amas, enquanto generais em fim de carreira cuidavam dos pequenos príncipes e princesas. Era ali que os filhos dos nobres recebiam formação escolar, junto dos filhos do faraó.

4. Períodos de existência

Pintura representando harém / Crédito: Wikimedia Commons

 

É difícil encontrar documentos indicando uma existência constante e haréns no Egito. Arqueologicamente, por exemplo, não existem indícios de haréns no Período Intermediário, nem no Segundo Período Intermediário. Eles voltam a aparecer no Império Médio, na cidade de Iti-tauí, e no Império Novo, em Tebas, Mênfis, Tell el-Amarna e Gurob. No Império Antigo, os haréns eram tidos como locais de residência da rainha, onde os filhos do faraó eram educados, junto das crianças de altos funcionários.

5. Vários haréns

Durante todos os períodos em que haréns foram documentados, era comum que, considerando que o faraó tinha vários palácios, ele tivesse vários haréns. Um deles, por exemplo, era conhecido como harém de acompanhamento — composto por um grupo de mulheres que seguia os faraós em suas viagens.

6. Trabalhadores e Eunucos

Mulheres em harém escutando uma das empregadas tocando música / Crédito: Wikimedia Commons

 

No Império Novo, a administração dos haréns era uma preocupação de um grupo específico de funcionários, sempre comandados por um diretor. Quase como numa empresa, o diretor chefiava escribas, inspetores, artesãos e domésticos. Diferentemente dos haréns do Império Otomano, no entanto, os eunucos nunca foram empregados nos haréns egípcios.

7. É a esposa quem manda

Enquanto, no Império Otomano, era a mãe do sultão quem mandava no harém, no Egito, a toda poderosa era a Grande Esposa Real. Suas decisões eram acompanhadas por uma Superiora do Harém, que supervisionava as atividades. A rainha Hatshepsut-Merytrê, esposa de Tutmósis III, por exemplo, tinha o título de regente das Esposas Reais.

8. Fonte de renda

A grandiosidade dos aréns / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para que cada harém funcionasse em toda sua grandeza, a manutenção dependia da renda produzida em terras agrícolas, na pecuária bovina, em pesqueiros, moinhos e oficinas de tecelagem. Em alguns casos, a renda vinha de impostos. Em outros, o próprio harém produzia tecidos, recipientes, potes, óleos aromáticos e peças delicadas, como joias.

9. Papel político

Foi no mesmo período que a importância política dos haréns cresceu. Antes, durante o Império Antigo, as mulheres eram, inclusive, usadas como moeda de troca, dadas em casamentos a altos funcionários, reforçando laços de lealdade. A lógica mudou no Império Novo, quando o harém passou a ser o centro matrimonial do faraó.

Nesse momento, era comum que princesas estrangeiras — escolhidas de acordo com as politicas externas — fossem acolhidas pelos haréns dos faraós. Tutmósis III, por exemplo, chegou a receber três concubinas sírias acompanhadas de 30 escravas em seu palácio. Ao mesmo tempo, no entanto, os faraós não aceitavam que suas próprias filhas fossem enviadas para o exterior.

10. Conspirações

Mulheres se banhando em harém / Crédito: Divulgação/Twitter

 

Por mais que fossem gigantes e com papéis importantes na sociedade egípcia, os haréns também eram centros de conspirações contra os faraós e suas rainhas. Na VI dinastia, por exemplo, um funcionário chamado Uni narrou, em sua auto-biografia, um processo secreto contra a rainha, no qual ele mesmo participou como juiz.

Ele conta que, durante o processo, julgou a rainha principal do rei Pepi I. Depois do episódio, a dama teria caído em desgraça e desapareceu — tendo sido banida, ou obrigada a optar pelo suicídio. Depois disso, o rei se casou com duas Grandes Esposas Reais, tendo um filho com cada uma delas, os herdeiros Merenre e Pepi II.


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