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15 curiosidades sobre a vida nos grandes haréns turcos

Comuns no Império Otomano, o maior deles, o palácio Topkapi, em Istambul, chegou a contar com 1000 mulheres

Pamela Malva Publicado em 13/01/2020, às 19h00

Representação de banho turco em harém
Representação de banho turco em harém - Wikimedia Commons

Durante todo o período no qual a Turquia foi governada por um total de 36 sultões, os grandes e famosos haréns eram um assunto recorrente. Muito influentes e recorrentes no sultanado, os haréns particulares dos governantes fascinam estudiosos até hoje.

Entre todos erguidos durante o Império Otomano, ocorrido entre 1299 e 1923, o harém mais famoso foi o palácio Topkapi, em Istambul. Gigante, o local que chegou a abrigar mil mulheres e pode ser visitado até hoje por turistas e entusiastas.

Conheça 15 curiosidades sobre a vida e o dia-a-dia das pessoas nos palácios.

1. As famílias dos Sultões viviam nos haréns

Representação de degustação de café em harém / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na Turquia, os haréns não eram apenas locais semelhantes aos bordéis. Em casas tradicionais, todos os locais reservados apenas às mulheres recebiam esse nome. Nesses ambientes viviam as familiares do dono da casa — esposas, mãe, irmãs e filhas — e a entrada de homens de fora era proibida.

Agora, nos palácios onde escravas também eram abrigadas, as familiares dos sultões — chamadas de Sultanas — tinham seus quartos luxuosos e privilégios como presentes e diferentes mordomias. Ao contrário delas, por exemplo, as escravas eram mantidas em aposentos coletivos.

Com ainda mais conforto e regalias, os filhos homens do sultão príncipes otomanos — recebiam todo tipo de mimo em seus gigantes aposentos separados. Lá, os jovens ficavam até atingir entre 14 e 16 anos de idade.

2. As mulheres não eram apenas escravas

Além dos membros femininos da família do sultão, outras mulheres viviam no palácio. Concubinas, odaliscas, arrumadeiras, aias, babás, copeiras e outras serviçais — que, de fato, eram escravas — perambulavam pelo harém e faziam todas as vontades do dono do lugar.

3. De onde vinham as escravas

Escrava sendo vendida em mercado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Era difícil determinar apenas um lugar de onde todas as escravas do sultão vinham. Eram trazidas de regiões vizinhas, dos quatro cantos do império, compradas em mercado, sequestradas da família e trazidas como prisioneiras de guerra.

Em alguns momentos, eram até mesmo usadas como presentes de outros chefes de Estado ou oferecidas por famílias do império — que buscavam garantir uma vida melhor para as meninas ou apenas uns trocados. Mesmo assim, durante muito tempo, Circassia, uma região que hoje se chama Krasnodar Krai, era conhecida por ter as melhores e mais lindas mulheres.

4. Representação das odaliscas

Representação do pintor Léon François Comerre das mulheres dos haréns / Crédito: Wikimedia Commons

 

Hoje em dia, é até comum encontrar mulheres que se fantasiam de odaliscas para festas e eventos temáticos — mesmo com toda carga cultural por trás da vida delas. No entanto, é difícil imaginar como elas eram de verdade.

Isso porque, por mais que tenham sido muito representadas por artistas, as pinturas que conhecemos hoje foram feitas por pintores da Europa Ocidental. E o problema disso é que eles as faziam sem nunca ter pisado em um harém.

5. Garantia de herdeiro

Representação de odalisca / Crédito: Wikimedia Commons

 

Naquela época, ter filhos era muito diferente. As mulheres não poderiam contar com o exame pré-natal, muitas morriam durante o parto, vários bebês nem chegavam a nascer, outros morriam em pouco tempo. A situação era bem caótica.

Por isso, o ambiente controlado do harém tinha um objetivo específico. Garantir que o sultão tivesse um herdeiro homem. Como filhas mulheres não poderiam chegar ao trono, a solução era aumentar as chances da geração de um menino que sobrevivesse até a idade de governar.

6. Papel político

A partir do momento que o sultão tivesse um filho, a mãe da criança assumia um papel importante na sociedade. Se essa mulher fosse filha de uma família nobre, ela poderia tornar sua linhagem ainda mais influente no império.

Assim, caso a família da mãe já fosse influente, poderia representar um perigo para o sultão. A resposta era simples: garantir que as mães dos herdeiros fossem escravas ou odaliscas, o que concentrava todo o poder nas mãos do governante.

7. Poucas viam o Sultão

Representação das odaliscas favoritas do sultão / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por mais que centenas de mulheres vivessem no harém, prontas para servir ao sultão e todas às suas exigências, poucas delas realmente chegavam a ficar frente a frente com o homem.

Apenas as mais bonitas, talentosas e bem treinadas eram apresentadas ao sultão para, caso fossem escolhidas, passar uma noite com ele. No caso contrário, eram mandadas para serviços de apoio e escondidas caso o sultão aparecesse.

8. Atividades obrigatórias

Mulheres na fonte de harém / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim que eram levadas ao harém, as escravas passavam por intensas aulas para que, então, assumissem seus postos. Aprendiam sobre música, dança, poesia e instrumentos, além de, claro, terem aulas sobre sua relação com o governante.

Depois de tudo isso, a mulher deveria ter sorte e ser selecionada para ter a chance de dormir com o sultão. Uma vez preferidas, subiam na hierarquia do harém e deixavam de ser escravas. Para muitas, regalias. Para a mulher que engravidasse, uma linhagem nobre a chance de se tornar mãe de um filho sultão.

9. Cama exclusiva

Representação de sultão em seu harém com odaliscas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por mais que a representação ocidental dos haréns queira passar a imagem de orgias e sexo entre muitas mulheres e o sultão, apenas uma delas, escolhida a dedo, poderia dormir com ele a cada noite. Era determinado assim por questões religiosas e práticas.

No harém, o esquema de festas e encontros íntimos era detalhadamente organizado, monitorando as possíveis grávidas. Ainda que muitas odaliscas participassem dos eventos, cantando, dançando e lendo poemas, no final da noite, só a preferida poderia ir para a cama com ele.

10. O poder das mães

Emetullah Rabia, esposa de Mehmed IV e mãe de Mustafa II e Ahmet III / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sim, a sociedade no Império Otomano era incrivelmente machista. Mesmo assim, incrivelmente, quem exercia o maior poder no harém era a mãe do sultão. Chamada de Valide Sultan, era ela quem escolhida as odaliscas que o filho conheceria.

Nesse posto, a mãe poderia facilmente se tornar a mulher mais poderosa do império, já que tinha o carinho do povo. Isso porque, muitas vezes, elas faziam obras de caridade e mandavam construir escolas, hospitais e mesquitas, conquistando a população.

Uma vez que o filho herdasse o trono, a Valide Sultan ganhava tal título nobre e passava a exercer uma grande influência sobre as decisões políticas do sultão. Tamanha era essa influência que determinado período do império ficou conhecido como Reinado das Mulheres.

11. Pequenos sultõezinhos

Ainda que o filho homem do sultão realmente morasse no harém com sua família, junto de sua mãe, quando ele atingia a idade necessária (entre 14 a 16 anos), ele era enviado para outras províncias. A ideia era fazer com que o jovem governasse o local.

Nesse sentido, como passou a ser um pequeno sultão, o garoto poderia ter suas próprias odaliscas. Era comum que os jovens levassem algumas das mulheres do pai, para que pudessem começar o próprio harém, sempre acompanhados de suas mães.

12. O harém era vigiado 24h

Como o local era lotado de mulheres lindíssimas, era claro para o sultão que ele precisava garantir que ninguém entrasse e, muito menos, que ninguém saísse. Assim, os sultões passaram colocar guardas africanos eunucos nas portas de seus palácios.

Super fortes, os africanos eram incumbidos de proteger as mulheres. Durante um tempo, alguns até foram castrados para impedir que gerassem filhos. Essa ideia rapidamente foi trocada por outra: cortar completamente o pênis dos guardas, para que cumprissem apenas suas funções oficiais.

13. Endividamento do estado

Pintura do Sultão Ibrahim / Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante seu governo, o Sultão Ibrahim tinha mais favoritas que o comum e fazia de tudo para vê-las cobertas de joias, peles, tecidos caros e presentes. Tamanho era o luxo que, em determinado momento, ele acabou endividando o Estado.

O sultão se afundou em dívidas de vez quando decidiu aumentar o tamanho do harém. Ele exigiu que obras fossem deitas para que toas as mulheres fossem abrigadas com o conforto necessário.

14. A escrava mais poderosa do império

Sultão Süleyman junto de Hürrem / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois de ser sequestrada onde hoje fica a Ucrânia, Aleksandra, de 15 anos, era constantemente punida por sua rebeldia no palácio. Dada ao harém do Sultão Süleyman, ela acabou abaixando a cabeça e logo se tornou a mais bela e recatada das odaliscas.

A jovem rapidamente chamou atenção da Valide Sultan e foi escolhida para conhecer o sultão. Destacando-se entre as outras odaliscas, a menina foi convidada a acompanhar Süleyman em uma noite.

Desse dia em diante, apaixonado, Süleyman rebatizou a jovem com o nome de Hürrem — cheia de alegria — e a fez a preferida das preferidas. Com sua influência sobre o homem, a garota o convenceu a mandar sua esposa e seu primogênito para uma província distante.

Assim, Hürrem se tornou a primeira escrava a se casar com um sultão e a receber sua alforria. Ela foi chamada de Sultana, teve quatro filhos — indo contra a regra de um único filho por mulher — e ainda interferiu diretamente em assuntos do império.

Com o plano de se tornar uma Valide Sultan, convenceu seu marido a matar seu primogênito com a antiga esposa, o pequeno Mustafa. Com ele fora do caminho, um de seus filhos estava a caminho de assumir o trono. Uma doença misteriosa, no entanto, entrou em seu caminho e a matou 8 anos antes que seu primogênito, Selim II, assumisse o trono.

15. Herança nos dias de hoje

Ainda que, naquela época, o sultão pudesse ter quatro ou cinco companheiras oficiais, os turcos, por lei, podem ter apenas uma esposa. Nesse sentido, a poligamia é ilegal na Turquia desde 1926, por decisão de Atatürk, o presidente.


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