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45 cobras por hectare: conheça a Ilha das Cobras

Perto do litoral paulista, a ilha isolada conta com lendas e espécies exclusivas do local

Caio Tortamano Publicado em 13/09/2020, às 07h00

Serpentes unidas
Serpentes unidas - Imagem de James Tsividis por Pixabay

Se você tem fobia de cobras, definitivamente deveria passar longe desse local. A Ilha da Queimada Grande não carrega o apelido de Ilha das Cobras à toa. É a segunda maior concentração de répteis do tipo em um só lugar. Oficialmente, Queimada Grande conta com 45 cobras por hectare, o equivalente a um campo de futebol, e só não tem mais que a Ilha de Shedao, na China.

Localizada entre as cidades de Peruíbe e Itanhaém, no litoral paulista, o isolado pedaço de terra fica a 35 km da praia, e possui 1.500 metros de comprimento por 500 metros de largura. Foi descoberta em 1532, pelo colonizador português Martim Afonso de Souza, que originou um hábito nada saudável para o ambiente da ilha.

Percebendo a gigantesca população de cobras no local, após a caça local de aves, atearam fogo na pequena ilha com medo de que os répteis pudessem trazer má sorte a tripulação. Isso se tornou corriqueiro depois de um tempo, especialmente depois da Marinha brasileira ter instalado um farol no século 19.

Com medo das cobras, as queimadas eram frequentes, tanto que o nome da ilha — Queimada Grande — tem origem nesse período, em que grandes chamas consumiam a pequena extensão de terra no meio do mar. Tudo isso, entretanto, não conseguiu acabar com a rica fauna e flora da Ilha das Cobras.

Diversidade

A formação geológica da ilha proporcionou um evento interessante para as espécies que ali vivem. Uma população específica de jararacas-comuns acabou se isolando do lugar. Com o passar do tempo, outros seres da espécie, aptos a sobrevivência numa ilha, foram prosperando e se diferenciando das outras que ainda viviam no local.

Portanto, uma nova espécie foi criada, uma que somente existe na Ilha da Queimada Grande, a Bothrops insularis, mais conhecida como Jararaca-ilhoa. 

A jararaca-ilhoa, única da Ilha da Queimada Grande / Crédito: Wikimedia Commons

 

De acordo com o pesquisador e especialista em animais peçonhentos Vidal Haddad Júnior, da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista, essa espécie se tornou menor e mais leve, com uma cauda capaz de possibilitar que o animal consiga agarrar presas com maior facilidade, além de uma dentição propícia para a caça a aves.

Todavia, a cobra está em ameaça de extinção. Apesar de ser deserta, a ilha recebe a visita indesejada de pescadores que realizam queimadas para poderem pescar no local, além de traficantes de animais, que tentam capturar a espécie, rara no mercado ilegal.

Muito venenosas, as jararacas-ilhoa seriam as guardiãs perfeitas para um suposto tesouro escondido. Isso é o que diz uma das lendas locais, sem evidências. Deixando de lado as lendas, só é possível visitar a ilha com autorização do Governo Federal, concedida principalmente a pesquisadores. 


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