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Morte enigmática, tatuagens e refeições: 5 curiosidades sobre a impressionante múmia de Ötzi

A múmia de 5 mil anos até hoje surpreende pelo instigante estado de preservação

Giovanna de Matteo Publicado em 20/10/2020, às 09h49

Ötzi, cuja múmia foi encontrada nos Alpes
Ötzi, cuja múmia foi encontrada nos Alpes - Divulgação

Ötzi, também conhecido como Homem de Gelo, representa a múmia natural de um homem que viveu entre 3400 e 3100 a.C. Estudos em cima de seu cadáver, muito bem conservado devido anos de congelamento, ofereceu uma visão surpreendente e respostas variadas sobre a vida dos europeus calcolíticos (que viviam na Idade do Cobre).

Seu corpo e pertences estão em exposição no Museu de Arqueologia do Tirol do Sul , em Bolzano, na Itália.

Confira abaixo 5 fatos impressionantes a respeito da múmia de Ötzi.

1. Como foi descoberto

O exato momento da descoberta / Crédito: Divulgação

 

Era 19 de setembro de 1991 quando dois turistas que passeavam sobre os Alpes de Ötztal, na fronteira entre a Áustria e a Itália, encontraram um corpo congelado no meio do caminho.

Inicialmente eles acharam que se tratava do cadáver de um alpinista que teria morrido durante uma viagem, mas ao chegarem perto, perceberam que o cadáver era muito mais antigo do que imaginavam.

Encontrado próximo à montanha Similaun e Hauslabjoch, quatro dias após a descoberta, Ötzi foi finalmente retirado do local e levado por um médico legista e um arqueólogo para análise. O pesquisador Konrad Spindler, da Universidade de Innsbruck, na Áustria, datou a idade do homem em "cerca de quatro mil anos". 

2. Quem era Ötzi ?

Ötzi viveu há 5,3 mil anos, no período Neolítico. Pesquisas mostraram que ele morreu quando tinha entre 30 e 45 anos. O homem media cerca de 1,65 metros de altura e pesava 50 kg. Além disso ele tinha tatuagens em seu corpo: chegaram a contar até 61 marcas deliberadamente feitas em seus membros.

Outras pesquisas identificaram que se tratavam, na verdade, de um antigo tratamento com agulhas e pó de carvão, resultando nas marcas. 

Em um estudo mais avançado, foi possível analisar seu código genético e então encontrar parentes vivos e rastrear a origem de seus passos. Ötzi pertencia a um grupo de cromossomos Y chamado haplogrupo G, que tem raízes em povos do Oriente Médio que já usufruíam da agricultura. No entanto, os pesquisadores ainda não conseguiram narrar toda a sua história, e até hoje não se sabe se ele foi um guerreiro, ou só um humilde caçador.

3. Sua morte brutal 

Reconstrução do machado de Ötzi / Crédito: Wikimedia Commons

 

O homem de gelo morreu devido a uma flechada que o atingiu em seu ombro, sangrando até a morte, entretanto, o motivo que o levou a ser atacado é mais sombrio.

Para a museóloga Angelika Fleckinger, essa não foi uma causa de morte comum. Muitas hipóteses foram lançadas: ele poderia ter morrido em combate ou alvo de um ritual de sacrifício, entretanto, após análises do investigador Alexander Horn, foi constatado que ele teria sido provavelmente vítima de vingança.

Ötzi fora encontrado com armas, o que poderia bater com a ideia de que ele morreu em batalha: um arco e um machado de cobre foram descobertos. Porém, os pesquisadores ainda não conseguiram concluir se ele teria sido vítima de um crime ou de uma agressão entre tribos.

4. Problemas de saúde

Juntas gastas, cálculos biliares, artérias enrijecidas, e um tumor no dedinho do pé foram alguns dos problemas de saúde constatados pelos estudiosos que analisaram a múmia de Ötzi.

O homem de gelo realmente tinha uma lista extensa de problemas de saúde. Desde doenças parasitárias, descobertas após diversos ovos de vermes serem encontrados no seu intestino, até níveis altos de arsênico em seu sistema (provavelmente devido ao trabalho com metais e extração de cobre), ele, apesar de forte, também tinha, provavelmente, a doença de Lyme.

Além de todos esses danos físicos, se vivesse nos dias de hoje com certeza iria precisar de um dentista - após um exame odontológico, foram reveladas evidências de uma doença avançada na gengiva e cárie.

5. Hábitos alimentares e última refeição

Imagens do trato digestivo de Otzi / Crédito: Divulgação/ South Tyrol Archeology Museum

 

Em 2018 foi divulgado um estudo mais avançado sobre o interior de seu estômago: "Conseguimos comprovar que ele teve uma proporção notavelmente alta de gordura em sua dieta, suplementada com carnes selvagens de íbex (caprino que habita os Alpes) e de veado, trigo selvagem e vestígios de um tipo de samambaia", comentou Frank Maixner, pesquisador e coordenador do Instituto Eurac de Estudos da Múmia da Universidade de Bolzano, na Itália.

Ötzi era esperto e provavelmente já sabia que para se obter energia precisava se alimentar com gordura. O íbex foi uma das principais fontes de gordura de sua dieta, e era consumida ainda fresca, ou, no máximo, seca. Já a samambaia ingerida tinha algumas toxicidades, porém, não se sabe se foram consumidas com intenção.

Sua última refeição já estava parcialmente digerida e sugere que ele tenha comida um prato que incluía grãos e carne de íbex, realizada duas horas antes de falecer. 


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