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De creme dental de casca de ovo e ossos a enxágue com urina: 5 fatos assustadores sobre os dentistas do passado

Antigamente, médicos, monges católicos e até mesmo barbeiros podiam executar procedimentos cirúrgicos que hoje são feitos apenas por dentistas

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 17/02/2021, às 15h36

Pintura de 1785, de Franz Anton Maulbertsch, mostrando barbeiros-cirurgiões
Pintura de 1785, de Franz Anton Maulbertsch, mostrando barbeiros-cirurgiões - Wikimedia Commons

Se muitos já têm medo de ir ao dentista nos dias de hoje, imagine no passado, quando não existiam tecnologias tão avançadas assim. Sim: nada de anestesia, tudo era feito com a dor do paciente que sentava em uma cadeira esperando um tratamento, no mínimo, assustador.

A situação melhorou consideravelmente para a odontologia, com o avanço de práticas usadas pelos dentistas. Ainda assim, a história da profissão está recheada de momentos que causariam um arrepio — no sentido ruim — naqueles que temem ir a consultórios odontológicos.

A Aventuras na História separou 5 fatos assustadores sobre os dentistas do passado. Confira!

1. Os primeiros dentistas

Pessoas têm problemas com os dentes há muito tempo, então não é difícil de imaginar que alguém tivesse que desempenhar o papel de dentista. No Egito, há cerca de 4.500 anos, o mais antigo dentista foi responsável por extrair os dentes de muitos de seus pacientes. Hesi-Re era conhecido como o “maior médico que tratava dos dentes”, como estava escrito em hieróglifos, encontrados perto de crânios sem dentes.

Ele, porém, não era o único profissional da época responsável por procedimentos odontológicos. Foram encontrados muitos papiros que descreviam os tratamentos egípcios indicados para algumas doenças bucais. Por exemplo, eles indicavam “amassar uma pasta e aplicar sobre o dente uma parte de cominho, uma parte de incenso e uma parte de cebola” no dente que  “corrói as partes altas da carne”.


2. Na Grécia e Roma Antiga

A situação era um pouco melhor na Grécia e Roma Antiga. Na primeira, o médico Diocles de Caristo, que viveu no século 4 a.C., dizia para seus pacientes: “A cada manhã deveis esfregar vossas gengivas e dentes com os dedos desnudos e com menta finamente pulverizada, por dentro e por fora, e em seguida deveis retirar todas as partículas de alimento aderidas”. 

Em Roma, eles também tinham um método de limpar os dentes após as refeições, ao serem influenciados pela cultura grega. No entanto, os ingredientes dos pós dentifrícios, considerados parentes distantes dos cremes dentais, eram bizarros: cascas de ovos e conchas de ostra e base de ossos.


3. Escove os dentes!

Siwak, um precursor da escova de dentes / Crédito: Pixabay

 

Hoje, o hábito de escovar os dentes é incentivado por profissionais a todo o momento. Mas nem sempre foi assim. A primeira escova de dentes moderna foi criada apenas no século 17, pelos ingleses. Ela também era um pouco bruta: as cerdas eram feitas de pêlo de porco, que era amarrado em perfurações feitas em um osso, que servia como o cabo.

Ainda assim, outras pessoas incentivaram a escovação antes de a escova de dentes ter sido propriamente inventada. Foi o caso de Maomé. No século 7, ele aconselhava aos seus seguidores o uso do siwak, uma espécie de escova, feita do ramo de uma árvore que tinha bicarbonato de sódio em sua madeira.


4. Barbeiros

Pintura de 1580 mostra o Mestre John Banister fazendo cirurgia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Antes de dentistas propriamente ditos existirem de verdade, profissionais de diferentes áreas exerciam essa função. Na Idade Média, quem fazia procedimentos cirúrgicos eram os monges católicos, que logo foram proibidos pela Igreja de realizarem esses tipos de procedimento. Os barbeiros foram os próximos na lista.

Além de fazer a barba e cortar cabelo, os barbeiros eram responsáveis por inúmeras cirurgias: eles faziam sangrias, tiravam pedras dos rins e, inclusive, extraíam dentes. Como não eram especializados em nenhum tipo de medicina, eles faziam tudo como dava, mas provavelmente causavam muita dor aos seus pacientes.


5. Dicas bizarras

A odontologia evoluiu com o passar dos anos. Pierre Fauchard, autor do livro O Cirurgião Dentista, publicado em 1728, foi um dos responsáveis por esse avanço. “Aperfeiçoei e também inventei várias peças artificiais para a substituição dos dentes e para remediar sua perda completa”, escreveu na época, quando inventou pivôs e dentaduras.

Ele foi muito importante para a história da profissão, mas, naquela época, ainda deu alguns conselhos bizarros e grotescos para seus pacientes. Por exemplo, uma das dicas de Fauchard era enxaguar a boca de manhã com colheradas da própria urina. Essa orientação, porém, não manchou o nome do francês, que se consagrou na área.


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