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Holocausto Esquecido: 5 particularidades terríveis sobre o Genocídio Armênio

Há mais de 100 anos, 250 intelectuais e líderes armênios foram presos e executados pelo Império Otomano, sinalizando o começo de um extermínio que viria a matar mais de 1,4 milhão de pessoas

Isabela Barreiros Publicado em 31/07/2020, às 11h30

Vítimas do genocídio
Vítimas do genocídio - Wikimedia Commons

1. Os números

Restos mortais das vítimas / Crédito: Wikimedia Commons

 

De acordo com dados do Patriarcado Armênio, o extermínio sistemático propagado pelo então Império Otomano, que englobava, além da Turquia e Armênia, partes do Líbano, Síria, Iraque e Palestina, durante os anos de 1915 e 1917, provocou a morte de 1,4 milhão dos 2,1 milhões de armênios. Em um cálculo similar, afirma-se que dois em cada três armênios foram assassinados no genocídio nunca reconhecido pela Turquia.

O número assusta e é indicativo dos horrores praticados contra esse povo. Práticas sistemáticas como incêndio de vilas, afogamento de pessoas e mortes causadas deliberadamente por médicos otomanos eram estratégias utilizadas pelo governo para exterminar os armênios.


2. Deportação

A Lei de Deportação Temporária, proposta pelo paxá Mehmed Talaat, seria a luz verde para o grande extermínio que estava por vir. O genocídio já vinha sendo gestado desde o ano anterior, em 1914, mas foi a partir desse decreto que se percebeu realmente o que estava sendo colocado em prática.

As ordens de deportação eram anunciadas publicamente, e as famílias tinham apenas dois dias para organizar seus pertences. No interior mais remoto, a situação era ainda pior, como não haviam muitas testemunhas. Mulheres eram estupradas, crianças, crucificadas e milhares enforcados ou decapitados por soldados do Exército, policiais e membros da SO, andando pelo deserto sírio.


3. Marchas da morte

Sobreviventes do genocídio armênico / Crédito: Getty Images

 

Depois de deportados, os armênios poderiam ser levados à cidade síria de Deir ez-Zor. O caminho, no entanto, já era tortuoso: em meio ao deserto, pessoas andavam sem suprimentos nem água, caminhada que custou a vida de milhares. Em agosto de 1915, o jornal New York Times reproduziu um relatório que afirmava que "as estradas e o Eufrates estão cheios de cadáveres de exilados, e os que sobrevivem estão condenados à morte certa. É um plano exterminar todo o povo armênio”.

Se sobrevivessem a quase impossível jornada, continuavam com a vida em risco. Na cidade, acredita-se que o governo otomano tenha deliberadamente impedido essas pessoas de ficarem em instalações e de obterem alimento e água.


4. Campos de extermínio

Mas além disso tudo, para quem conseguisse permanecer vivo em tais condições sub-humanas, o governo criou uma rede de campos de extermínio localizada na região que hoje marca as fronteiras da Turquia com Iraque e Síria.

Acredita-se que tenham sido 25 campos de extermínio administrados pelo funcionário público Şükrü Kaya, um dos principais aliados de Mehmed Talaat. Alguns desses eram utilizados apenas como local de passagem mais outros funcionaram como instalações para o encarceramento do povo, que morria por doenças, fome e execução.


5. Violência não assumida

Algumas das várias vítimas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Até hoje, o governo Turco não assume publicamente que houve, em 1915, um genocídio planejado e conduzido oficialmente. Argumenta-se que o êxodo e consequente extermínio de centenas de milhares de armênios seriam apenas um efeito colateral dos conflitos internos e da participação na Primeira Guerra.

Em outubro do ano passado, a Câmara dos Deputados estadunidense aprovou por 405 a 11 uma resolução que reconhece a matança em massa dos armênios pelos turcos otomanos como um genocídio. O presidente Donald Trump, no entanto, contrariou essa resolução. Segundo ele, essa foi "uma das piores atrocidades em massa do século 20", mas não usou a palavra genocídio.


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