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Abandonado pelo pai e largado em um manicômio: A triste trajetória de Benito Albino, filho de Mussolini

Quando chegou al poder, Il Duce renegou todos aqueles que o ergueram, deixando para trás sua esposa e seu filho, que tiveram um fim melancólico

Wallacy Ferrari/ Atualizado por Fabio Previdelli Publicado em 10/01/2021, às 00h00

Benito Albino ao lado de sua mãe Ilda
Benito Albino ao lado de sua mãe Ilda - Wikimedia Commons

Antes de ser preso e morto por guerrilheiros da Resistência italiana, sendo, posteriormente, exposto à execração em praça pública durante vários dias, pendurado pelos pés, Benito Mussolini se tornou o primeiro-ministro da Itália em 1922, onde estabeleceu sua ditatura totalitária: o fascismo.  

Nacionalista, corporativista, anticomunista, Il Duce, como ficou conhecido, ganhou a admiração de uma grande parte de sociedade italiana e de grandes figuras políticas da época. Porém, antes mesmo de mostrar de todas as atrocidades de que era capaz, o aliado de Hitler na Segunda Guerra já tinha demonstrado ser uma figura desprezível com uma pessoa muito importante em sua vida: seu filho, Benito Albino

O filho de um miserável 

Ida Dalser conheceu Mussolini, em Trento, na época em que o futuro líder era apenas um ex-presidiário ambicioso filiado ao Partido Socialista. Sem quase nenhum poder aquisitivo, a companheira ajudou o rapaz financeiramente, vendendo o salão de beleza da família e usando a verba para a produção de um jornal, Il Popolo d’Itália. 

Fotografia de Benito na época que serviu ao Exército / Crédito: Wikimedia Commons

 

A relação progrediu amorosa e financeiramente bem ao longo dos anos. Tempos depois, o casal teria seu primeiro filho. Apesar de ser devidamente registrado pelo pai, Benito Albino e sua mãe foram empurrados para debaixo do tapete quando Il Duceascendeu ao poder. Com isso, Mussolini decidiu manter o duradouro relacionamento às escondidas e assumiu sua amante Rachele Guidi publicamente. 

Cada vez mais ausente das atividades paternas, Ida ficou furiosa com o descaso do ex-companheiro, alegando ter levantado sua vida política e sido usada apenas como escada para seu sucesso. Em certa ocasião, ela invadiu uma das primeiras reuniões do Fascio Milanese di Combatimento aos gritos, expondo o filho para diversos companheiros de partido de Mussolini

“Camaradas, esta criança é filho desse homem. Ele me engravidou e me abandonou”, dizia. Ao tomar o governo, o líder contra-atacou; exigiu que autoridades vasculhassem sua presença em locais públicos e evitassem qualquer aparição em situações políticas. Mesmo perseguida, Ida não recuou, sendo internada compulsoriamente em um hospital psiquiátrico até a morte, em 3 de dezembro de 1937. 

O futuro de Benito e o abandono paternal  

Com a internação de sua mãe, o jovem foi enviado para um colégio interno pelo pai, sendo supervisionado por seu tio Arnaldo. Com o falecimento dele, Benito foi adotado por Giulio Bernardi, um fiel seguidor de Mussolini. Tutorado com os ideais do líder, a criação do garoto foi conturbada, visto que era cuidado por um homem que insistia que seu pai não era o ídolo da casa. 

Ida Dalser / Crédito: Wikimedia Commons

 

Após o fim dos seus estudos básicos, alistou-se na Regia Marina Italiana, sendo supervisionado pelos militares para evitar qualquer citação ao pai biológico, chegando a ser enviado para a China. Sem sucesso, o rapaz também foi internado compulsoriamente por membros do Exército em um sanatório. 

Após a sua internação na clínica psiquiátrica em Mombello di Limbiatte, o jovem acabou falecendo aos 26 anos, em 1942. A causa da morte, no entanto, é um mistério que perdura até os dias atuais. A versão oficial da instituição atribuiu o óbito a uma tuberculose, porém, não condiz com os quadros saudáveis do rapaz jovem. 

Além da saúde, a clínica tinha enfermeiros e médicos dispostos para combater qualquer tipo de enfermidade ainda no estado inicial. De acordo com o The Times, pesquisadores acreditam na possibilidade do jovem ter recebido constantes injeções para induzir um coma, resultando em uma overdose fatal. 

Apesar dos testemunhos de dezenas de militares e políticos, os documentos relacionados ao matrimônio de sua mãe e seus registros acadêmicos e militares foram ocultados à mando de Mussolini.

Os principais registros fotográficos e arquivos de sua vida foram encontrados, principalmente, nos anos 2000. Desde a descoberta, historiadores e biógrafos trabalham na coleta de dados relacionados aos familiares para incluir a ex-esposa e o filho em registros históricos. 


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