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5 fatos sobre The Conqueror, a produção de Hollywood que matou o elenco

Autoridades dos EUA garantiam que o local em que as gravações estavam sendo feitas era seguro, mas contradições surgiram nos anos seguintes ao lançamento do filme

Isabela Barreiros Publicado em 25/06/2020, às 15h22

Cena do filme The Conqueror (1956)
Cena do filme The Conqueror (1956) - Divulgação/RKO Radio Pictures/Universal Pictures

1. Não agradou a crítica

Cena do filme The Conqueror (1956) / Crédito: Divulgação/RKO Radio Pictures/Universal Pictures

 

O diretor e cineasta Dick Powell lançou seu filme The Conqueror (Sangue de Bárbaros, em português) em 1956, que se tornou o 11º longa-metragem mais visto naquele ano. Podemos considerar que foi um relativo sucesso de bilheteria, com 4,5 milhões de dólares, ainda que contasse com grandes nomes de Hollywood como John Wayne, Susan Hayward, Agnes Moorehead, John Hoyt e Pedro Armendáriz.

O filme aparece ainda hoje em listas de piores da década de 1950 e até mesmo de toda a História do cinema. Wayne interpretou o conquistador mongol Gengis Khane, em uma espécie de yellowface, que é quando uma pessoa branca se “fantasia” de outra asiática. Mas a verdade é que a crítica seria o menor dos problemas para o elenco e equipe de produção.


2. Local perigoso

As gravações de The Conqueror aconteceram no Parque Estadual de Snow Canyon, próximo à cidade de St. George, em Utah, nos Estados Unidos. No entanto, a localização não era tão amigável assim — na verdade, eles estavam a apenas 220 km da Área de Testes de Nevada, onde aconteciam testes nucleares ao ar livre.

Na época, a Comissão de Energia Atômica dos EUA garantiu que a área em que o elenco e os produtores passaram ao menos 13 semanas era segura. As autoridades garantiam que os envolvidos no filme estavam livres de qualquer risco, e o produtor Howard Hughes e o diretor Dick Powell estavam cientes da situação.


3. O set

Um dos muitos testes realizados na área / Crédito: Domínio Público

 

Como estavam muito próximos do local onde 11 bombas atômicas já haviam sido detonadas como parte da Operação Upshot-Knothole, em 1953, eles não estavam seguros. O pó radioativo foi levado pelo vento da região e se precipitou justamente sobre o parque de Snow Canyon, onde as gravações estavam sendo realizadas.

Não era só isso, no entanto. Os atores enfrentavam péssimas condições para trabalharem no local, que era conhecido por suas altas temperaturas, chegando até 49º, e pela grande quantidade de poeira. Eles tiveram, então, de finalizar o filme em estúdios de Hollywood, mas para piorar, o produtor decidiu levar 60 toneladas de areia contaminada para Los Angeles, para dar um ar mais “realista” para a produção.


4. Consequências

Os danos causados aos envolvidos no filme foram a longo prazo. Ao longo dos anos, eles começaram a desenvolver câncer em uma escala tão rápida que a associação com as gravações no Parque Estadual de Snow Canyon foi inevitável. Ainda assim, alguns culparam o cigarro como a maior causa dessas doenças, visto que muitos fumavam muito, como Moore e Wayne.

Sete anos depois do lançamento do longa-metragem, Powell morreu devido a um câncer. Em 1960, Armendáriz foi diagnosticado com um tumor nos rins e cometeu suicídio 3 anos depois. Na década de 1970, Hayward, Wayne e Moorehead faleceram da mesma maneira. O resultado foi que 90 pessoas da equipe que totalizava 220 desenvolveram tumores malignos e 46 delas morreram.


5. Responsabilidade

Membros da equipe e os parentes das pessoas que morreram devido ao filme consideraram processar o governo dos EUA por negligência, mas, pelo que se sabe, isso não deu em nada. O diretor, Dick Powell, também foi vítima da doença que levou a maioria dos envolvidos no longa-metragem, morrendo de câncer de pulmão em 1963. Ele não teve de lidar com a responsabilidade das consequências de sua produção.

Howard Hughes, no entanto, escapou da doença, mas não do peso na consciência. Ele chegou a gastar 12 milhões de dólares ao comprar todas as cópias existentes do filme, impedindo que o público o assistisse. Apenas ele reprisava compulsivamente The Conqueror, enquanto vivia isolado em sua casa. Morreu em 1976, e apenas três anos depois a Universal Pictures adquiriu os créditos da obra.


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