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5 fatos sobre Dadá do Cangaço, a Amazona do Sertão

A cangaceira foi a única mulher a portar um fuzil no bando de Lampião, tinha rivalidade com Maria Bonita e chegou até mesmo a liderar o grupo

Isabela Barreiros Publicado em 06/05/2020, às 08h00

A cangaceira Dadá
A cangaceira Dadá - Wikimedia Commons

1. A entrada no Cangaço

Dadá e Corisco / Crédito: Wikimedia Commons

 

A maioria das mulheres entrava para o cangaço para acompanhar um cangaceiro, fugindo de suas famílias. No entanto, esse não foi o caso de Dadá. Histórias como a dela eram pouco frequentes no bando de Lampião. Amazona do Sertão, para tornar-se tal, foi sequestrada.

Corisco era o braço direito de Lampião e foi o responsável pelo rapto de Dadá. Segundo ela mesma, o ato foi uma vingança contra seu pai, acusado de delatar um parente de Corisco à polícia. “Então ele veio e me carregou, me botou na garupa do burro”. O que aconteceu depois disso não é falado pela cangaceira, mas a pesquisadora Rosa Bezerra, autora do livro A Representação Social do Cangaço, afirma que há relatos privados da mulher, dizendo que ela teria ficado muito doente após sofrer violência sexual, com febre por semanas.


2. Sem luxo

Quando mulheres começaram a fazer parte do cotidiano do cangaço, a relação do bando com riquezas mudou. Segundo o especialista no tema, Frederico Pernambucano de Mello, a cangaceira “exigia do marido joias, perfumes, brilhantinas, maquiagens”, vivendo para “para se ornamentar e alegrar o cotidiano de dureza do seu homem”.

Mas Dadá era uma exceção, não somente pela forma como entrou no grupo como também por não parecer ter caído nas tentações da riqueza vinda das pilhagens. “Eu aconselhava as outras meninas a não ir. Vê a festa e não sabe o que sofre: dormir no molhado, andar no espinho, fugir tomando tiro, a ruína da sua família... Os períodos de glória e fartura se revezavam com os de miséria”, afirmou em entrevista.


3. Rivalidade com Maria Bonita

Dadá, Lampião e Maria Bonita, respectivamente / Crédito: WIkimedia Commons

 

Como Maria Bonita era mulher de Lampião, o maior líder do Cangaço, é de se esperar que a esposa tivesse relevância dentro do grupo. Essa notoriedade incomodava Dadá, que foi a única mulher a portar um fuzil no bando de Lampião, mas ainda assim não era tão respeitada quanto a outra.

A verdade era que Dadá detestava Maria Bonita principalmente devido ao fato de que ela mandava e desmandava no cangaço. Por mais que fosse a rainha do subgrupo de cangaceiros de seu marido, Corisco, Dadá não tinha a mesma autoridade que Maria e, por vezes, era desrespeitada pelos cangaceiros. Dizia que a outra era “abusada, ranzinza, orgulhosa, metida a besta, barulhenta e arrumadinha feito uma boneca”.


4. Armamento

A maioria das mulheres dentro do grupo de Lampião não tinha papel de combatentes. Elas poderiam portar apenas facas e pistolinhas, destinadas apenas a sua defesa, sem participarem ativamente de combates, saques e ocupações de vilarejos. Mas Dadá era diferente.

“As moças carregavam pistolinhas, mas eu tinha um revólver 38 e cartucheira de duas camadas. As caixas de bala eu levava numa panelinha, porque eu gastava muito. E um punhalzinho. Mas para enfeite, porque eu não ia furar ninguém”, contou a cangaceira. Ela foi, como já dito, a única mulher a carregar consigo um fuzil no bando.


5. Líder do bando

Dadá com suas roupas de cangaceira / Crédito: Domínio Público

 

Depois que o bando de Lampião foi atacado no sertão de Sergipe, numa madrugada de julho de 1938, quem sobreviveu fugiu ou se entregou às forças do governo. Com isso, o grupo se dividiu, e Corisco assume a liderança de um desses fragmentos. Sua primeira ordem? Vingança. Com a convicção de estar vingando o bando, matou uma família inteira, mas havia um problema: a informação estava errada. Corisco matou uma família inocente.

Com esse crime hediondo sobre seus ombros, a vida passa a ser de fuga constante. Enfraquecido, o grupo nem sequer tem munição suficiente. É então que Dadá começa a ganhar relevância na defesa e nos ataques. Em agosto de 1939, Corisco é baleado e se torna incapaz de liderar, e, assim Dadá se torna a primeira líder mulher no cangaço. No entanto, isso dura pouco, por volta de um ano.


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