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Em direção ao Novo Mundo: 5 fatos sobre a fuga da família real para o Brasil

Há 213 anos, os membros imperiais embarcavam para o território brasileiro; enfrentando diversos momentos perturbadores durante a viagem para a terra do Pau-Brasil

Giovanna de Matteo Publicado em 29/11/2020, às 10h00 - Atualizado às 13h00

Navios da Coroa Portuguesa em Salvador, 1808
Navios da Coroa Portuguesa em Salvador, 1808 - Wikimedia Commons

Na manhã do dia 29 de novembro de 1807, a família real e toda a corte de Portugal preparavam-se para abandonar a sua terra natal, fugindo do avanço de Napoleão Bonaparte sobre as terras portuguesas. O povo que presenciava aquela fuga totalmente improvisada não entendia – ou não queria acreditar – que estavam sendo deixados à sorte, virando órfãos de seus representantes absolutos.

A partir daquele dia, os portugueses teriam de resistir às conquistas francesas sobre seu território. Enquanto isso, seus soberanos estariam sãos e salvos, a um oceano de distância, desembarcando tempos depois na terra do Pau-Brasil. 

Mas, antes de chegarem ao Novo Mundo, a família real enfrentou diversos momentos perturbadores. Confira abaixo 5 fatos sobre a fuga da família real para o Brasil:

1. “Não vá tão depressa, pensarão que estamos fugindo!”

Naquele dia de corre-corre, estima-se que entre 10 mil e 15 mil pessoas (cerca de 5% da população do país), embarcaram em navios prontos para atravessarem o Oceano Atlântico e começarem uma nova vida na Colônia brasileira.Dona Maria I, a Louca, e a esposa de seu filho, Carlota Joaquina, aguardavam no castelo, junto com os oito filhos do casal, as carruagens que os levariam para o porto, onde embarcariam em alto-mar.

Representação da saída da frota em direção ao Brasil / Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante o caminho, reclamando da velocidade da carruagem, Dona Maria I acabaria soltando uma das frases mais irônicas de todos os tempos: “Não vá tão depressa, pensarão que estamos fugindo!”.

Como se já não tivesse caos suficiente, uma chuva atingiu a cidade de Lisboa naquele dia, deixando as ruas encharcadas de lama. Por esse motivo, quando a rainha chegou ao cais, obrigou um comandante da frota a carregá-la até o navio para não sujar os pés e o vestido no lamaçal.


2. A cultura lusitana atravessa o Atlântico

O embarque não só contou com milhares de pessoas, mas também com uma grande quantidade de pertences que seriam levados para o Brasil. Por todos os cantos da cidade carruagens e carroças carregavam e desembarcavam caixotes, baús, pipas d'água e alimentos, formando uma grande zona na área portuária.

Toda a papelada oficial do governo também foi separada para viajar em dezenas de caixas. Além disso, cerca de 60 mil livros da Biblioteca Real da Ajuda faziam parte da bagagem do príncipe regente, e entre eles escondia-se uma relíquia: a edição original de Os Lusíadas.

No palácio de Mafra, a residência oficial de Dom João VI, os funcionários da corte corriam para desmontar os móveis e adornos preciosos, recolhendo os quadros esbeltos das paredes e todo o ouro e prata daquele lugar. Em Queluz, outro palácio real, também foram empacotadas diversas antiguidades, porcelanas e pratarias que iriam ser transferidas para o Novo Mundo.


3.  Sob escolta da Marinha britânica

Com tudo pronto, estava na hora de partir. A esquadra portuguesa – composta por 19 navios – teve a ajuda da frota britânica, inimiga de Napoleão, para escoltar os navios até o Brasil.

Retrato do imperador Dom João VI / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao todo foram 32 barcos de guerra, junto com mais 30 navios mercantes, que navegariam em direção às Américas. Às três horas da tarde, 21 tiros de canhão marcaram o início da jornada da família real.


4. Abaixo às caravelas 

Apesar de Portugal exibir o título de pioneiro das grandes navegações marítimas, os seus barcos à vela ainda não eram sofisticados o suficiente. A maior parte da tripulação não tinha um saneamento básico garantido, precisando dividir os sanitários, que a cada dia que passava ficavam cada vez mais imundos. A presença de animais como porcos, galinhas, vacas e cabras, que eram destinados a alimentação dos passageiros mais nobres, também faziam uma grande sujeira pelos navios. Ratos também corriam pelas madeiras das caravelas, aumentando o risco de doenças.

Enquanto isso, outras confusões também se espalhavam entre os viajantes. No Afonso de Albuquerque, embarcação em que estava Carlota Joaquina, uma infestação de piolhos atingiu a todos, fazendo com que todas as mulheres – inclusive a princesa – precisassem raspar o cabelo. Também era comum que as pessoas sofressem de doenças intestinais, devido a alimentação precária em meio a toda falta de higiene.


5. Terra a vista!

Depois de tanto tempo navegando sobre as águas turbulentas do Atlântico, no dia 22 de janeiro de 1808 os comandantes avistaram a linda baía de Salvador. Excitados com a paisagem de natureza exótica, de um ponto ao outro aquelas terras exibiam ilhas de vários tamanhos e praias belas; À frente, no alto de um morro, via-se construções brancas.

Chegada de D. João VI a Salvador, de Candido Portinari. / Crédito: Divulgação

 

Os portugueses chegaram e foram recebidos pelo governador da província, João Saldanha da Gama, e pelo arcebispo dom José da Santa Escolástica. Dom João VI esperava mais pessoas, mas o governador preferiu primeiro receber o príncipe, e depois levá-lo ao povo. O português, então, retrucou: “Deixe o povo vir como quiser, porque deseja ver-me”.

No dia seguinte uma festa ao estilo carnaval baiano foi preparada. Tiros de canhão, sinos tocando nas igrejas e uma multidão de pessoas alegravam o cais da Ribeira. Era a primeira vez que um monarca europeu pisava em terras brasileiras.


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