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Isolada durante quatro décadas: 5 fatos sobre a misteriosa família Lykov

Isolados na floresta da Sibéria durante mais de quatro décadas, eles não sabiam sobre a Segunda Guerra ou à chegada do homem à Lua

Ingredi Brunato Publicado em 09/08/2020, às 08h00

Agavia com seu pai Karp.
Agavia com seu pai Karp. - Wikimedia Commons

Os Lykov foram uma família russa que fugiu para a floresta de taigas siberiana durante o regime comunista, e lá ficou por 42 anos antes de ter algum contato com a civilização novamente.

Eles levavam um modo de vida simples: plantavam, caçavam e liam a Bíblia. Devido ao completo isolamento, para eles grandes eventos históricos como a Segunda Guerra Mundial, o Holocausto e a chegada do homem à Lua simplesmente passaram batido. 

1. Descobertos por acidente 

Era 1978, ainda durante a existência da União Soviética, quando um time de quatro geólogos sobrevoavam as matas da Sibéria. O que buscavam era um novo local para exploração de reservas de petróleo e gás natural, no entanto, o que encontraram foi muito mais surpreendente. 

Do helicóptero onde estavam, avistaram um jardim e em seguida a cabana de madeira dos Lykov, que estavam localizados a cerca de impressionantes 200 quilômetros de qualquer assentamento humano. 

Não é preciso dizer que ao se depararem com algo tão incomum, os pesquisadores decidiram mudar os planos. Ao se aproximarem da cabana, foram recebidos por Karp Lykov, o patriarca da família. Ele morava lá com sua esposa Akulina, um filho chamado Savin e três filhas chamadas, respectivamente, Natalia, Dmitry e Agafia.  

Segundo contou a geóloga Galina Pismenskaya em seu relato para o livro-reportagem que registrou a história - o “Perdidos na Taiga”, do jornalista russo Vasily Peskov - o pai a princípio foi relutante, talvez por estar um pouco assustado com a visita inesperada, mas logo os recebeu. “Se vieram de tão longe, é melhor que entrem”, disse ele. 

Região onde família Lykov morava. Crédito: Wikimedia Commons. 

 

2. Era a floresta ou a perseguição religiosa 

Os Lykov professavam uma fé cristã fundamentalista, baseada em ritos e liturgia antigos, de antes da igreja passar pela Reforma de Nikon em 1645. Os partidários dessa vertente religiosa foram perseguidos na Rússia tanto na época dos czares, quanto no regime comunista. 

Depois que o irmão de Karp foi brutalmente assassinado por uma patrulha comunista bolchevique, a família decidiu que precisava escapar. Eles levaram consigo apenas os pertences que conseguiam carregar, entre esses um punhado de sementes. 

Na época em que se instalaram na floresta de taigas siberiana, o casal tinha apenas dois filhos, um menino de nove anos e uma menina de dois. Mais de quatro décadas depois é que eles viriam a ser encontrados pelos geólogos. 

Cabana onde os Lykov moravam. Crédito: Wikimedia Commons.

 

3. Fome constante

A vida em isolamento na floresta não foi fácil para a família Lykov. Aquela era uma região de invernos rigorosos, e muitas vezes eles enfrentavam dilemas em relação a comer o que havia sobrado da última colheita, ou guardar as sementes para terem o que plantar na temporada seguinte. 

Para piorar a situação, eles também não podiam substituir suas ferramentas quando essas ficavam velhas ou quebravam, por conta do afastamento da civilização. Dessa forma, eram obrigados a usarem sempre as mesmas que levaram consigo em sua fuga.  Por conta de todas as dificuldades, a fome não foi algo raro na vida da família Lykov. 

3. Uma única saudade 

Foram muitas as visitas dos geólogos ao clã, após aquela primeira em que o descobriram, porém a princípio a única coisa que os Lykov aceitaram do mundo exterior foi sal. “Foi uma tortura viver por todos esses anos sem isso”, revelou o patriarca na época, que não tinha planos de abandonar seu modo de vida. 

Apesar da reação inicial, mais tarde eles acabaram ficando com uma televisão, um objeto que os havia impressionado desde o primeiro contato. Foi através dela que a família ficou sabendo sobre como o mundo havia mudado desde que deixaram a civilização, 42 anos antes. Entre as novidades, existiam os horrores da guerra e do Holocausto, mas também os impressionantes avanços da ciência e tecnologia. 

Agafia à esquerda, e sua irmã Natalia à direita. Crédito: Wikimedia Commons 

 

5. E restou apenas um 

Infelizmente, o ano de 1981 acabou trazendo a morte de três integrantes da família Lykov. O filho Savin morreu de pneumonia, e as filhas Dmitry e Natalia desenvolveram uma infecção nos rins. A mãe já havia falecido em 1961, durante um inverno em que abriu mão de suas porções de comida em favor dos filhos, e acabou atingindo a inanição. 

Karp, o pai, morreu em 1988, o que por fim deixou Agafia, a filha mais nova, como a última sobrevivente do clã Lykov. Ela havia nascido já quando a família vivia na floresta, e decidiu que o melhor era continuar longe das cidades, vivendo como os pais a haviam ensinado. Provavelmente, foi também como morreu, em algum lugar nas frias florestas da Sibéria. 


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