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5 fatos sobre Pedro Afonso, o filho de D. Pedro II que não sobreviveu

A triste partida do príncipe, que tinha pouco mais de um ano, abalou a monarquia — e especialmente o imperador

Vanessa Centamori Publicado em 09/07/2020, às 12h01

Pedro Afonso sentado no colo de sua mãe, a imperatriz Teresa Cristina, e suas duas irmãs, Isabel e Leopoldina
Pedro Afonso sentado no colo de sua mãe, a imperatriz Teresa Cristina, e suas duas irmãs, Isabel e Leopoldina - Wikimedia Commons

1. Ele nasceu após uma outra tragédia 

Pedro Afonso teria um triste e prematuro fim, mas seus pais, Dom Pedro II e Teresa Cristina, esperavam não passar mais por sofrimento. O casal já tinha perdido um ano  antes um filho de dois anos, Afonso Pedro de Alcântara, que morreu depois de ter fortes crises epilépticas. 

Retrato de Afonso Pedro de Alcântara, que morreu antes de Pedro Afonso /Crédito; Wikimedia Commons 

 

Essa tragédia ainda abalava a mãe e o imperador. No entanto, o novo filho foi recebido com grande alegria no dia de seu nascimento, em 19 de julho de 1848, no Palácio de São Cristóvão.

2. Herdeiro homem 

Como D.Pedro II já tinha perdido um filho homem, a chegada de mais um menino foi vista como uma espécie de alívio para o monarca. Ele não acreditava que a monarquia podia seguir em frente se ele deixasse o trono para sua filha, Isabel.

Isso porque aos olhos da política e do público daquela época era impensável que uma mulher pudesse ser aceita como sucessora. A Constituição de 1824 não proibia isso, mas a visão patriarcalista excluía a participação ativa e direta das mulheres do governo e dos negócios da monarquia. 

3. Vida em Petrópolis 

O primeiro — e único — ano de vida de Pedro Afonso foi decidido pelo pai. No começo, D. Pedro II quis quebrar com a tradição da corte e passou o verão em Petrópolis. Porém, em 1849, o imperador decidiu se submeter às exigências dos poderosos e foi com a família até a Fazenda Imperial de Santa cruz. 

Foi naquele terreno, que pertencia aos Braganças há muitas gerações, que o príncipe passaria os seus últimos dias de vida. Até que aquela simples visita mudaria muita coisa para a imperatriz consorte e D. Pedro II. 

4. Isabel também ficou doente

O casal viu o filho adoecer, assim como a filha, Isabel. Tanto o menino, que só tinha pouco mais de um ano, quanto a garota, contraíram uma febre bastante forte. Enquanto que a princesa logo melhorou, a situação do herdeiro se agravou: ele teve uma convulsão terrível e morreu às às 4h20 da manhã do dia 9 de janeiro de 1850. 

Acredita-se que o quadro da criança tenha piorado pois Pedro Afonso tinha encefalite ou  uma doença congênita. Independente da causa, fato é que a morte abalou a monarquia — desestabilizando D. Pedro II, que ficou muito devastado. 

D.Pedro II /Crédito: Wikimedia Commons 

 

5. Legado e repercussão

O imperador acreditava que a morte do garoto era sinal de certa fragilidade do sistema monárquico. Sem mais herdeiro homem, ele continuou tentando excluir Isabel da participação na vida política. 

Historiadores apontam que ele ficou tão arrasado com a morte de Pedro Afonso que o governante nunca mais teve filhos com Teresa Cristina. O governante também jamais teria voltado a ter relações sexuais com a esposa. “[Ele ficou] profundamente abalado, emocional e intelectualmente”, explicou Roderick J. Barman.

Uma grande homenagem ao menino falecido ocorreu logo após óbito. O cadáver da criança foi sepultado no mausoléu do Convento de Santo Antônio. Honório Hermeto Carneiro Leão, que se tornaria Marquês do Paraná, lamentou a perda e discursou acerca da sucessão do trono em uma Assembleia Provincial.

"Pela segunda vez perdemos um herdeiro presuntivo da coroa", comentou Honório."Sirva-nos de consolação e certeza da [boa] saúde de S. M., o Imperador e de sua augusta esposa. Ambos na flor dos anos, e cheios de vida, prometem ainda numerosos frutos do seu tálamo". 

Certamente, conforme discursou Honório, a pressão por um novo herdeiro homem foi grandiosa. Mas, como sabemos, não houve mais nenhum nascimento. Somente Leopoldina e Isabel foram educadas por Dom Pedro II e Teresa Cristina. A última, em especial, ultrapassaria toda a repreensão e seria uma figura ativa na história do Brasil, sancionando em 13 de maio de 1888 a Lei Áurea. 


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