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Das unhas de 20 centímetros a protesto contra a pornochanchada: 5 fatos sobre Zé do Caixão, o rei da cultura trash

O cineasta José Mojica Martins utilizou de seu mais famoso personagem para encarnar as situações mais tragicômicas de sua vida

Wallacy Ferrari Publicado em 20/02/2020, às 10h49

O cinesta José Mojica Martins, falecido no último dia 19 em decorrência de uma broncopneumonia
O cinesta José Mojica Martins, falecido no último dia 19 em decorrência de uma broncopneumonia - Divulgação / TV Brasil

1. O começo

O primeiro contato de Zé do Caixão com o cinema foi aos 4 anos de idade, assistindo um filme educativo sobre DST. Entretanto, seu primeiro contato com um nome do ramo ocorreu durante um concurso de canto infantil. Um dos jurados que avaliava os participantes era Amácio Mazzaropi, que na época era um circense intinerante, mas posteriormente se tornaria a principal estrela do cinema nacional entre as décadas de 1960 e 1970.

Na ocasião, Mojica ganhou o concurso e foi coberto de elogios por Mazzaropi. O prêmio era os louros da vitória e uma capa de toureiro.

2. Fama internacional

Apesar de sua fama no Brasil ser folclórica, os filmes de Zé do Caixão passaram a ter uma atenção notável nos Estados Unidos no início da década de 1990, graças a distribuição de seus filmes pela Something Weird. O seu personagem foi renomeado como Coffin Joe e possui uma grande comunidade de fãs norte-americanos, sendo apelidado de “Brazilian Freddy Krueger”.

Zé do Caixão em um cartaz de uma sessão nos Estados Unidos - Divulgação

 

3. Um show de horrores para cortar a unha

Para cortar suas unhas de mais de 20 centímetros, José Mojica pediu ajuda a alguns fãs especiais: os membros da banda Sepultura. Em 1998, a banda fazia sucesso internacional e tornava cada vez mais raros os show no Brasil. Por isso, Zé do Caixão pediu para fazer uma aparição no show da banda em prol de ajudar uma instituição de caridade.

Ao aparecer no palco acompanhado de assistentes, foi ovacionado e cortou as unhas, uma a uma, protestando contra a corrupção. Presenteou o líder da banda, Igor Cavalera, com a do polegar; do indicador, para a redação do jornal Noticias Populares; a do anelar, para o apresentador Faustão e a do mindinho, depositou em uma caixa para leiloar e destinar o dinheiro a uma instituição que cuidada de crianças carentes.

4. Um protesto contra a pornochanchada

Produzindo filmes desde 1958, Mojica ficou indignado com o sucesso dos filmes com apelo sexual no Brasil. Cansado do que acreditava ser “a invasão da depravação” na indústria nacional, decidiu fazer sua própria pornochanchada com tudo que havia de pior em suas mãos.

O cineasta anunciou no jornal Notícias Populares que buscava "as mulheres mais feias possíveis" para realização de um filme pornô. A cereja do bolo era a estrela de uma das cenas principais: Jack, um pastor alemão contratado por Zé do Caixão para penetrar Vânia Bonier naquela que seria a primeira cena de zoofilia no cinema nacional.

“24 Horas de Sexo Explícito” foi lançado em 1985 com o intuito de afastar o público desse tipo de filme. Em entrevista ao jornal O Globo, Mojica afirmou que queria causar a pior impressão possível para “nenhum brasileiro ocupar uma sala de cinema para assistir sexo”. O filme, entretanto, foi um sucesso de bilheteria.

5. Terror no mercado infantil

Em 2008, Mojica se uniu com o ilustrador Laurent Cardon para lançar “O Livro Horripilante de Zé do Caixão”, destinado ao público infantil. Na época, Mojica era avô de 11 netos que sempre pediam para o vovô contar histórias de terror. Porém, conforme cresciam, já não se assustavam com coisas tão horripilantes pois cresceram vendo os filmes estrelando o Zé do Caixão.

Por isso, Zé reuniu, com ajuda de um pedagogo, sete histórias de terror com mensagens de tolerância, amizade e amor. “Ao escrever esse livro, minha grande preocupação foi contar histórias divertidas. Esse é o segredo para conquistar as crianças”, disse em entrevista ao Correio do Povo.


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