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Os bastidores da arte: 6 curiosidades sobre os teatros nos tempos de William Shakespeare

Quando 'Hamlet', 'Macbeth' e 'Romeu e Julieta' estrearam pela primeira vez, os teatros eram bem diferentes das salas modernas

Izabel Duva Rapoport Publicado em 23/05/2021, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa de teatro em Paris
Imagem meramente ilustrativa de teatro em Paris - Biblioteca Digital Gallica/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

A estrutura intimista dos teatros da Era Elisabetana (1558-1603), na Inglaterra, parecia feita sob medida para as tragédias shakespearianas. No palco, os atores ficavam tão próximos dos espectadores que tornavam a plateia cúmplice de cada ação dramática que era encenada ali. Uma configuração bem diferente das salas que conhecemos hoje.

Os prédios eram simples e enormes, com um pátio no centro, no qual ficava o palco sob uma cobertura que protegia os atores e os poucos materiais usados para compor os cenários. A ausência de grandes ornamentos nas cenas, aliás, também facilitava a relação de intimidade entre personagens e público, que podia chegar a até 3 mil espectadores — como é o caso do Globe, o mais famoso teatro da época, fundado em 1599 por William Shakespeare e sua companhia, 'The King's Men' (os homens do rei).

Construído à margem esquerda do Rio Tâmisa, longe das competências das autoridades (que não permitiam teatros populares na cidade), o Globe foi palco dos grandes textos do autor: 'Hamlet', 'Macbeth', 'Rei Lear', 'Otelo', 'Romeu e Julieta', 'A Tempestade', e sempre fez sucesso entre o público londrino.

Em 1613, porém, o teatro foi destruído por um incêndio durante uma performance de Henrique VIII, mas logo reconstruído. Até que, em 1642, foi fechado e encerrado. A boa notícia é que, três séculos depois, em 1997, uma construção foi erguida a 200 metros do local, mantendo as características originais, e o teatro Globe foi reinaugurado.

Confira seis fatos sobre os teatros nos tempos de Shakespeare:

1. As galerias

Fotografia do teatro Globe atualmente / Crédito: Another Believer/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

O público mais abonado — composto pela pequena nobreza, comerciantes, advogados etc. — ocupava as galerias, que davam a volta completa no pátio do local.


2. Papéis masculinos

Só os homens atuavam. Papéis femininos eram feitos por adolescentes. Havia espetáculos todos os dias, menos domingos e nos feriados religiosos. Para montar uma peça diferente a cada dia, um ator como Richard Burbage — astro da companhia de Shakespeare — decorava até 4.800 falas por semana.


3. Bastidores

Representação da orquestra de um teatro / Crédito: Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Na parte de trás do palco, ficava a área em que os atores se trocavam. O mesmo figurino precisava ser adaptado a cada peça e o próprio Shakespeare ajudava com as agulhas. As roupas não davam muita atenção para a fidelidade histórica: o público gostava de ver trajes coloridos e ostentosos. Os músicos ficavam atrás do palco ou em uma área lateral.


4. O palco

Os atores tinham acesso ao palco por duas entradas laterais. Bem ao fundo, cortinas pintadas faziam o ambiente do cenário. Um alçapão garantia certos recursos cênicos — serviria, por exemplo, de cova para o enterro de Ofélia em 'Hamlet'. Acima do palco, uma cobertura protegia os atores do clima e guardava as ferramentas dos “efeitos especiais”, como o som de trovão produzido por bolas de canhão rolando em tinas de metal.


5. Por trás das cortinas

Gravuras dos bastidores de antigos teatros / Crédito: Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Os lugares que ficavam atrás do palco eram divididos em cinco baias. Dali, os lordes assistiam às peças. Às vezes, se a trama exigisse, o espaço também era usado nos espetáculos. Foi o caso da cena em que Romeu corteja Julieta em seu balcão.


6. O público geral

Os espectadores mais pobres pagavam 1 centavo para assistir às peças de pé, diante do palco. Consumiam muita cerveja. E detalhe: não havia nenhum banheiro para eles, apenas baldes espalhados em pontos estratégicos.


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