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A Casa do Mortos: obra revela a origem das brutais prisões siberianas

Livro do historiador britânico Daniel Beer apresenta fontes e documentos inéditos de exilados na Sibéria

Victória Gearini Publicado em 11/08/2020, às 20h47

Prisioneiros nos Gulags, os campos de trabalho forçado
Prisioneiros nos Gulags, os campos de trabalho forçado - Domínio Público

Lançada em 2018 pela Editora Companhia das Letras, a obra A casa dos mortos, do renomado historiador britânico Daniel Beer, analisa de maneira minuciosa as consequências do exílio siberiano, e é uma obra de extrema importância para os estudos introdutórios sobre a Rússia pré-revolucionária.

A expressão "casa dos mortos" foi criada por Dostoiévski para se referir ao sistema prisional opressor em que as pessoas eram submetidas durante o exílio na Sibéria — local em que o autor ficou quatro anos preso. Nesta obra, Beer analisa o experimento social fracassado, que influenciou na construção da política do mundo moderno.

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A casa dos mortos: O exílio na Sibéria sob os Románov, de Daniel Beer (2018) / Crédito: Divugação / Editora Companhia das Letras

Para construir a narrativa, Beer utiliza uma quantidade significativa de fontes, além de analisar oito arquivo estatais localizados em Moscou, São Petersburgo e Sibéria. A partir de suas pesquisas, o escritor concluiu que o sistema de exílio siberiano atrasou o desenvolvimento da região. 

"Beer garimpou uma quantidade impressionante de material […] Desse poderoso manancial emerge uma história com riqueza de detalhes que dá vida e clareza ao terror comumente associado ao nome 'Sibéria'", publicou o The New York Times Book Review.

Por anos, a Sibéria foi denominada como um lugar de morte, injustiça, medo e atrocidade. No entanto, o historiador revela que as barbáries cometidas na região não foram eventos isolados do período stalinista. Além disso, o escritor apresenta sensibilidade ao retratar os sentimentos e agruras das companheiras e familiares dos exilados. 

"Uma obra-prima […] A origem de muitas das patologias da Rússia moderna pode ser atribuída ao grande experimento tsarista [do exílio siberiano] — suas tensões, seus traumas e seu objeto de fracasso", analisou o The Economist.

Com maior profundidade, Beer lança um olhar crítico sobre os métodos de torturas utilizados contra os prisioneiros, desde a fome até a morte. Além disso, embora o seu passado conflituoso e sombrio, a Sibéria ainda hoje é considerada uma das zonas mais remotas do mundo, na mesma medida que é bela e rica. 

Confira um trecho da obra A casa dos mortos (2018) disponível na Amazon em versão Kindle e capa comum: 

“No fim do século 16, o Principado de Moscou, ou Moscóvia, empenhou-se num projeto de conquista que se tornou conhecido como ‘coleta das terras’. Essa expansão territorial emergiu no vácuo de poder resultante do século 13 vinha dominando o território que se estende da Sibéria Ocidental a Moscou, mais recentemente fragmentado em canados. Em 1582, um aventureiro cossaco chamado Iermak Timofeievitch atravessou os Urais com um exército de centenas de homens num ataque audacioso ao poder em declínio do líder mongol siberiano Kuchum Khan. Depois de uma batalha vitoriosa na Sibéria Ocidental, Iermak instituiu um ponto de apoio a leste dos Urais e reclamou essa terras em nome de Ivan, o Terrível. Embora sua vitória tenha durado pouco (o líder cossaco morreu afogado apenas três anos depois, ao tentar escapar de uma emboscada tártara), as portas para a Sibéria abertas por ele nunca se fechariam. Os russos continuaram seus ataques através dos Urais, Kuchum Khan morreu em combate na batalha pelo rio Obi, em 1598, e o canado siberiano ruiu”.


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