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A curiosa origem da expressão "O.k"

Apesar de esse ser o americanismo mais difundido no mundo, sua origem é confusa

Izabel Duva Rapoport Publicado em 02/11/2020, às 09h00

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Imagem ilustrativa - Pixabay - Freepic

O.k.: o primeiro registro é de 1839, quando o editor Charles Gordon Greene, do jornal Boston Morning Post, de Boston, usou a abreviatura humoristicamente com o sentido de all correct (“tudo bem”).

Explica-se: nos anos 1830, a publicação tinha o hábito de brincar com o idioma e transformar expressões em siglas, formando uma nova palavra composta pelas letras iniciais.

Nesse caso, em vez de registrar A.C. (que seriam as primeiras letras de all correct), o jornal optou por grafar as iniciais da pronúncia: oll korrect. Uma brincadeira que, de acordo com o linguista Allan Metcalf, autor do livro OK (ed. Oxford Usa Professio), gerou a palavra “mais bem-sucedida e sensacional da língua inglesa”.

Em seu livro, lançado há dez anos, o linguista descreve nada mais nada menos do que 18 versões diferentes sobre a origem da expressão – que hoje ainda ganha um neologismo bem popular nas redes sociais no Brasil: “talquei?”.

De fato, a história sobre o surgimento do termo no jornal de Boston foi confirmada por vários estudiosos ao longo desses 180 anos, mas, ainda assim, Matcalf apresenta as outras tantas etimologias possíveis.

Para uns, O.K. tem origem indígena norte-americana e provém da palavra okeh, que, na língua nativa da tribo Choctaw, significava “sim”. Outras teorias indicam que a expressão pode ter origem africana e que foi levada para os Estados Unidos pelos escravos que vinham da África, cuja prunúncia de afirmação era hoc ille.

Há também a versão grega: olla kalá; ou baixo-alemã: olles kloer. Ambas significam “tudo bem”. Já a hipótese mais falada nos EUA – também apresentada pelo jornalista Vance Packard (1914-1996) no livro A Nova Técnica de Convencer (ed. Ibrasa) – conta que a pequena palavra surgiu nos quartéis militares durante a Guerra da Secessão (1861-1865).

Segundo os autores, quando as tropas voltavam para seus alojamentos sem sofrer nenhuma baixa, os soldados anotavam num quadro de avisos ou pintavam nas paredes “0 K”, zero killed, ou seja “zero morto”. Com o tempo, essa boa notícia passou a significar “tudo bem”.

Seja como for sua origem, o responsável pela popularização do O.K. foi o presidente americano Martin Van Buren, que tentava se reeleger em 1840. Apelidado de Old Kinderhook (Velho Kinderhook), porque era nativo dessa cidade, usou as iniciais O.K. como slogan – e aproveitou o trocadilho com o sentido de “all correct”.

Mas, apesar disso, não foi reeleito. Cerca de um século depois, com a chegada da informática, a expressão virou comando no computador e foi ganhando cada dia mais força.