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A juventude de John F Kennedy

As experiências do jovem Kennedy ajudaram a evitar uma nova guerra naqueles dias que abalaram o mundo

Ricardo Lobato Publicado em 07/03/2021, às 09h00

John Fe Kennedy em imagem
John Fe Kennedy em imagem - Wikimedia Commons

Em outubro de 1962, o presidente dos EUA estava preocupado. Não bastasse a agitação do cargo máximo de uma nação, o mundo encontrava-se em um dos maiores contenciosos do século 20, a maior ameaça à paz mundial desde que Hitler invadira a Polônia em 1939, desencadeando a Segunda Grande Guerra.

Dentre os muitos motivos para evitar que a crise com os soviéticos em Cuba evoluísse para um confronto maior, estava uma razão pessoal: em sua juventude, o agora comandante em chefe lutara e vira de perto os horrores da guerra.

Por saber quão caro é o preço de um conflito, John Kennedy estava comprometido a encontrar uma saída pacífica para a situação. O segundo filho de uma abastada família irlandesa de Massachusetts, John Fitzgerald Kennedy, ou simplesmente JFK, teve uma juventude diferente do que se pode esperar de jovens herdeiros. “Jack”, como era chamado pelos amigos, escolheu desde cedo o caminho mais difícil.

Com uma carreira promissora nos negócios de seu pai e, a despeito de problemas de saúde desde a infância, em 1940, após se formar em Harvard, optou pela vida militar. Depois de meses em treinamento como candidato a oficial do Exército, foi recusado devido a um problema na coluna que tinha desde a adolescência. Isso não o fez desistir.

Alistou-se na Marinha e, depois de uma recusa inicial, conseguiu ser aceito para a Escola de Oficiais da Reserva Naval, justamente no momento em que os EUA entravam em guerra com o Japão.

Tendo sido inicialmente designado para a Inteligência Naval, pediu transferência para o front, pois além da impaciência por participar dos “verdadeiros combates”, não achava justo que os outros se arriscassem e ele não.

Em 1942, recebeu o comando de um barco de patrulha conhecido como PT-Boat. Sua unidade foi designada para combater no Pacífico, protegendo a esquadra Aliada e atacando os comboios japoneses de reabastecimento de tropas, o Expresso de Tóquio.

Durante uma patrulha noturna em 1943, após mais de 30 missões bem-sucedidas, seu barco foi atacado e partido ao meio por um destróier inimigo, deixando dois tripulantes mortos e diversos feridos.

Mesmo com a coluna machucada, JFK deu seu colete salva-vidas a um dos marinheiros e rebocou-o até a ilha mais próxima. Depois de uma peregrinação por diversas ilhas, em um território controlado pelo inimigo, ferido, sem água e alimento, JFK e sua tripulação encontraram habitantes locais que levaram uma mensagem escrita por ele, em um coco, até a guarnição Aliada mais próxima.

Foram resgatados e Jack enviado para tratamento. Um mês depois já estava de volta ao combate nas Ilhas Salomão. Participou de outras missões até receber dispensa médica em 1944. A despeito da bravura, a guerra havia cobrado seu preço. Esse, porém, não foi o fim de sua participação no conflito.

Em 1945, JFK cobriu, como jornalista, a Conferência de Potsdam, onde os novos contornos da Europa foram definidos – as fronteiras da Guerra Fria que encontraria como presidente, 15 anos depois. Combates, privações, negociações de paz, entre outras experiências, contribuíram para o amadurecimento do jovem.

Uma vivência fundamental para evitar uma nova guerra naqueles dias que abalaram o mundo.