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A mulher mais tóxica da história: conheça o caso Glória Ramirez

Em 1994, uma paciente com câncer deu entrada no Riverside General Hospital e deixou mais de 23 pessoas doentes

Paola Churchill e Pamela Malva Publicado em 09/01/2021, às 08h00

Glória Ramirez, a "mulher tóxica"
Glória Ramirez, a "mulher tóxica" - Wikimedia Commons

Aos 31 anos, a bela Glória Ramirez tinha dois filhos e um marido. Conhecida por grande parte da comunidade de Riverside, nos Estados Unidos, ela era a alma da festa. Sempre muito extrovertida, todavia, ela parecia ser outra pessoa no dia 19 de fevereiro de 1994.

Diagnosticada há seis semanas com câncer no colo do útero, a mulher não estava se expressando direito, as palavras se enrolavam na língua. Com um batimento acelerado, ela teve de ser levada às pressas para o Riverside General Hospital.

Logo que chegou, a paciente foi cercada por profissionais que tentavam salvar sua vida. O caso de Glória, no entanto, logo escalou para um dos quadros mais curiosos e desesperadores que a equipe médica de Riverside já viu.

Fotografia de Glória Ramirez / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Uma vida a ser salva 

No começo do tratamento, os especialistas tentaram utilizar diversos remédios para melhorar a condição de Glória. Sem sucesso, eles partiram para a última saída disponível: a desfibrilação. A corrente elétrica usada na mulher, contudo, desencadeou em seu corpo um brilho oleoso e ela começou a exalar um forte cheiro de alho.  

Apesar das tentativas de salvá-la, Glória veio a óbito por obstrução renal. Durante esse processo, das pessoas que a atenderam, 23 especialistas apresentaram sintomas como vômito, febre excessiva, confusão mental e desmaios — alguns dos sintomas comuns em pessoas que são expostas a radiação.

Em pouco tempo, a equipe médica responsável percebeu o perigo e reduziu o número de pessoas que poderiam entrar em contato com a mulher ao mínimo possível. Assim, os especialistas mais resistentes seguiram com o atendimento e fizeram tudo que podiam. Dos que passaram mal, muitos foram internados ali mesmo.

Imagem meramente ilustrativa de procedimento médito / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Uma mulher tóxica

O caso curioso despertou o interesse de vários médicos e estudiosos. Após alguns dias de pesquisa, a equipe de Patologistas do Laboratório Nacional de Lawrence Livermore, chegou a seguinte hipótese: a “mulher tóxica” poderia ter usado dimetilsulfóxido (DMSO), um solvente utilizado como remédio caseiro para a dor.

No momento em que substância recebeu descargas elétricas da desfibrilação, a mulher sofreu uma reação química que converteu o medicamento em sulfato de dimetilo (DMSO4), um poderoso gás venenoso. Dos 20 sintomas que esse gás apresenta, 19 foram registrados como reações que a equipe médica teve.

Fotografia de frasco do medicamento DMSO provavelmente usado por Glória / Crédito: Divulgação

 

Surto coletivo

A investigação sobre o caso de Glória durou vários meses e, durante todo o tempo que a mulher ficou no hospital, profissionais tiveram diferentes sintomas. Grande parte dos funcionários, inclusive, sofreu de um intenso estresse, além de apresentarem indícios de doenças sociogênicas em massa, todas provocadas pelo odor que a mulher emanava.

No final, ficou claro que, muito além de causar um alvoroço na mídia e um medo desenfreado de maiores contágios, o caso da "mulher tóxica" ainda causou uma histeria coletiva nos profissionais que tentaram cuidar dela no hospital.

Dois meses depois da morte de Glória, seu corpo foi liberado para uma autópsia e enterro independentes, realizados por especialistas conhecidos da família. Quando chegou ao patologista, o corpo da mulher estava em alto grau de decomposição. A história chegou ao fim apenas em abril de 1994, quando ela foi enterrada em Riverside.


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