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"Agora Inês é morta": 5 curiosidades sobre a rainha cadáver de Portugal

Em uma tragédia digna de Shakespeare, o amor proibido de um casal sobreviveu até depois da morte da moça, que reinou mesmo morta

Isabela Barreiros Publicado em 15/09/2020, às 18h15

Pintura do cadáver de Inês tendo suas mãos beijadas
Pintura do cadáver de Inês tendo suas mãos beijadas - Wikimedia Commons

Do ditado popular “agora Inês é morta”, veio uma história, no mínimo, estranha que, de fato, aconteceu. Sim, a morta existiu de verdade, tendo origem em Portugal e vivendo entre os anos de 1323 e 1355. 

O provérbio, hoje, é usado quando queremos dizer que uma situação é irreversível. E é fato que esse foi o triste destino de certa nobre de Portugal. Inês de Castro viveu um amor impossível que acabou tirando sua vida, com efeito, definitivamente.

Conheça 5 fatos sobre a história de Inês de Castro, a rainha cadáver de Portugal:

1. Quem foi Inês de Castro?

Representação de Inês de Castro / Crédito: Wikimedia Commons

 

A dama galega, homenageada no famoso ditado popular, foi filha de Pedro Fernandes de Castro, principal responsável pela administração do castelo do rei Afonso XI de Castela, e Aldonça Lourenço de Valadares, uma mulher nobre de Portugal

Como é possível perceber, Inês já fazia parte da corte no Reino de Castela, tanto porque seu pai era o mordomo-mor do rei, quanto por ele ser um dos fidalgos mais importantes do reino. No entanto, ela ficaria ainda mais próxima dos nobres: se tornaria ainda dama de companhia de Constança Manuel, esposa de Pedro I de Portugal, herdeiro da coroa portuguesa.


2. Amor proibido

Por mais que fosse uma das aias de Constança, acabou fazendo com que o marido dela a traísse. Isso porque Inês e Pedro se apaixonaram profundamente, mesmo que ele fosse casado. Era uma história de paixão proibida na corte portuguesa, com direito a muito drama, que viria a seguir.

O fato é que traições e relacionamentos extraconjugais não eram incomuns entre nobres. Na verdade, isso tornou-se muito comum entre reis e rainhas. No entanto, neste caso, nem o pai do herdeiro do trono, Afonso IV, nem o clero apoiavam o caso dos dois. Como eles eram os próprios fiadores do acordo entre Castela e Portugal, a situação ficou tensa.

Afonso afirmava que não concordava com a relação devido à moralidade, que via a traição com maus olhos. A verdade é que o rei temia que a mulher influenciasse demais seu filho, visto que eles pertenciam a reinos, até pouco tempo, opostos.


3. Conspiração do rei

O drama de Inês / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao longo dos anos em que estiveram juntos, Inês e Pedro mantiveram-se completamente apaixonados, mesmo que fossem contra o pensamento do pai do nobre. Em 1344, o rei decidiu que enviaria a mulher ao exílio. Ela foi obrigada a ir para o castelo de Albuquerque, que ficava na fronteira castelhana. Nem mesmo ter que manter o relacionamento à distância enfraqueceu o amor dois, que enviavam cartas românticas um ao outro frequentemente. 

Com a morte de dona Constança, esposa de Pedro que poderia ser considerada a maior pedra no caminho do casal, a ligação entre os dois se tornou ainda mais estreita. Pedro pediu que Inês voltasse do exílio, contrariando seu pai. Era fato que eles não iriam se separar, somente se algo muito terrível acontecesse. E foi exatamente isso que Afonso decidiu fazer.


4. Fim digno de tragédia de Shakespeare

Mesmo que Pedro falasse que não tinha interesse em se casar novamente, durante esse período, ele e Inês tiveram quatro filhos juntos. Para o então rei, eles colocavam em risco a coroa: poderiam simplesmente reivindicar ao trono por serem filhos diretos de um herdeiro. A ideia do monarca era colocar fim ao relacionamento.

Essa união chegou ao fim apenas depois de uma conspiração terrível planejada pelo rei. Quando a tensão alcançou seu auge na corte, Afonso decidiu enviar Pero Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco para assassinarem Inês.

O rei havia ordenado a morte da mulher que seu filho amava e os capachos foram responsáveis por executar a sentença plenamente, de uma maneira trágica e cruel. Aproveitando que Pedro não estava no castelo, quando ele estava caçando, foram até Inês e cortaram-lhe a garganta.


5. Agora Inês é morta

Estátua de Inês / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pedro recebeu a notícia do assassinato de sua amada e ficou furioso, decidido a enfrentar seu pai. No entanto, quando chegou na cidade do Porto, sua mãe, Beatriz, e seu primo, o bispo de Braga, fizeram com que ele desistisse da ideia. Teria sido nesse momento que o futuro rei afirmou, resignado: “Agora, Inês é morta”.

Quando se tornou rei, Pedro não havia esquecido do horror que o fizeram passar. Assim que assumiu, prendeu os homens responsáveis pela morte de Inês, mas também fez com que eles fossem torturados e tivessem o coração arrancado em sua presença. 

Isso já pode ser considerado, no mínimo, macabro. Mas a ordem que veio depois dessa foi ainda mais bizarra. Pedro afirmou que havia se casado com a mulher sem que ninguém soubesse e, na cerimônia de posse, fez com que ela fosse, também, coroada, ainda que morta. O cadáver de Inês foi recuperado do cemitério e o rei fez com que muitos nobres e súditos beijassem as mãos do corpo. 


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