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Água preta do capitalismo: Jukov, o maior general soviético, era obcecado por Coca-Cola

O general pediu para os químicos deixarem o refrigerante transparente para poder bebê-lo em paz

Fabio Marton Publicado em 01/08/2019, às 07h00

Jukov
Jukov - Reprodução

Junho de 1945. Hitler morto, missão cumprida, os dois fronts aliados se encontravam em Berlim. De um lado, os generais Bernard Montgomery, do Reino Unido, e Dwight Eisenhower, dos EUA. Eles conseguiram remover os nazistas da França e da Itália, mas perderam a corrida para Berlim para os soviéticos, liderados por Gueorgui Jukov, aquele que havia feito o inimigo correr das portas de Moscou até Berlim.

Era então tudo abraços e celebrações entre aqueles que se tornariam inimigos mortais pelas décadas a seguir. Eisenhower ofereceu uma especialidade de seu país ao parceiro soviético: o drinque criado por John Pembenton seis décadas antes. Jukov caiu de amores pela Coca-Cola.

E isso causou um problema: pegaria mal o maior general da história soviética ser visto bebendo a água preta do capitalismo. Ele então perguntou a seus colegas se não seria possível tornar a Coca-Cola transparente. Com isso, seus compatriotas imaginariam que ele estaria bebendo uma inofensiva vodca.

Crédito: Reprodução

O pedido chegou a ninguém menos que o presidente dos EUA, Harry Truman. Ele entrou em contato com o presidente da companhia e, após muitos arranjos, um químico austríaco descobriu como remover a cor do refrigerante. Garrafas especiais, transparentes e apenas com uma estrela vermelha como rótulo, foram produzidas na Bélgica. Jukov recebeu seu presente: 50 engradados de Coca-Cola transparente. Só a primeira leva.

A imensa popularidade do general que venceu a Grande Guerra Patriótica (como os russos chamavam e ainda chamam a Segunda Guerra), causava ciúmes a outras autoridades soviéticas, inclusive Stalin. O general foi chamado de volta à Rússia, designado para tarefas inúteis, comandando tropas insignificantes.

Por várias vezes, quase perdeu a cabeça, em acusações de “bonapartismo” – isto é, tentar tomar o poder na União Soviética e acabar com a revolução. Nada mais se sabe sobre suas Coca-Colas, mas Jukov conseguiu manter a cabeça sobre seus ombros e faleceu de causas naturais em 1974.

Suficiente para ter um prêmio de consolação, que certamente deve ter experimentado: a Pepsi. Em 1973, o refrigerante foi autorizado na União Soviética – era um acordo, no qual a empresa venderia a vodca Stolichnaya no Ocidente. Em 1985, durante a Perestroika, a Coca finalmente pôde ser vendida na pátria de Lenin.

Nos anos 1990, a Pepsi e a Coca fizeram testes com refrigerantes transparentes (a Crystal Pepsi e o Tab Clear). Um fracasso. Quem sabe porque o comunismo já havia caído...