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Amor proibido e possível encontro fatal: os bastidores de Juscelino Kubitschek

O fundador de Brasília era casado, mas enquanto erguia a nova capital viveu uma aventura fora do casamento

Vanessa Centamori Publicado em 17/05/2020, às 08h00

Casamento de Juscelino Kubitschek com Sarah Luisa Lemos
Casamento de Juscelino Kubitschek com Sarah Luisa Lemos - Wikimedia Commons

Durante a juventude, Juscelino Kubitschek frequentou uma festa beneficente, no ano de 1926, que marcou sua vida para sempre. Dali nasceu um envolvimento intenso com uma moça chamada Sarah Luísa. Ela se apaixonou perdidamente pelo rapaz, que um dia se tornaria o primeiro presidente brasileiro nascido no século 20. 

Porém, Nonô (como JK era carinhosamente conhecido) resolveu estudar urologia na Europa, só voltando ao Brasil um ano depois. Deixou a amada para trás na década de 1930, em plena Revolução de Getúlio Vargas, que derrubaria o presidente Washington Luís. 

Apaixonado, Juscelino descreveu suas aventuras na Europa em cartas de amor que enviava à Sarah. Ela estava animada em casar-se com o rapaz, de quem se tornou noiva. Porém, de repente, o pretendente parou de responder às cartas. A garota ficou de coração partido, porém, por meio de conselhos da mãe, não desistiu do amado.

O primeiro casamento 

O rompimento, no entanto, foi breve. Assim que retornou ao Rio de Janeiro, Juscelino foi recepcionado pela amada, cheia de saudades. No dia 30 de dezembro de 1931, eles se casaram e assim partiram para a comemoração da união com celebrações de Ano Novo no luxuoso Hotel Copacabana Palace. 

Quando JK começou a assumir a presidência, em 31 de janeiro de 1956, a esposa passou a assinar sob o nome Sarah Luísa Lemos Kubitschek de Oliveira. Depois vieram onze anos de tentativas frustradas, nas quais o casal lutava para ter filhos. Até que, finalmente, foi agraciado com a primeira filha biológica, Márcia, em 22 de outubro de 1943. 

JK e família em foto da revista O Cruzeiro, edição de 4 de fevereiro de 1956 / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Anos depois, em 1947, JK e a esposa decidem adotar uma criança e acolheram Maria Estela, de 5 anos. O tipo de adoção foi à brasileira (quando o adotado simplesmente passa a viver com outros guardiões por decisão dos pais biológicos). Hoje, esse procedimento é ilegal. 

Nova capital, nova mulher  

Juscelino iniciou um romance proibido conforme as obras de Brasília começavam a brotar. Mesmo sendo um homem comprometido com Dona Sarah, ele conheceu uma nova mulher, Maria Lúcia Pedroso, de 25 anos, numa festa, em 1958. 

A moça, assim como ele, era casada - com um deputado do partido de Juscelino - José Pedroso, líder do PSD, um dos colabores mais próximos do presidente. Sem mais e sem menos, JK tirou a dama do colega para dançar e assim os dois ficaram a noite inteira.

Maria Lúcia Pedroso, amante de JK / Crédito: Divulgação 

 

Depois de dançarem, Juscelino convidou a jovem para um chá no Palácio do Catete. “Nunca mais se separaram. Nem o receio do escândalo, o ciúme, o câncer ou a impotência afastaram os amantes”, relatou Claudio Bojunga em JK, o Artista do Impossível, biografia sobre o presidente Bossa-Nova.

Conflitos domésticos

Discussões entre a esposa e o estadista foram exibidas no livro Juscelino, Uma História de Amor (1994), de João Pinheiro Neto. Em um dos conflitos, Sarah teria dito que já sabia de várias traições do marido. "É isso mesmo, Juscelino. O nosso casamento não tem mais sentido. Desde que você era Prefeito, em Belo Horizonte, que venho aguentando calada as suas traições", disse a mulher, após descobrir cartas de amor que ele trocava com Maria Lúcia.

Em uma dessas cartas, Juscelino pede a amada em casamento e diz que está entrando com pedido de desquite (não havia ainda divórcio no Brasil). “É sentimento definitivo, eterno, imutável. Não há remédio, não há solução. Para que sofrer mais?”, escreveu ele.

(Esquerda para a direita): Sarah Kubitschek, Maria Lúcia Pedroso e Juscelino Kubitschek / Crédito: Divulgação

 

Maria Lúcia, por outro lado, não quis se separar do marido, mas mostrava que sentia ciúme de JK com outras mulheres. “Ou você dissolve seu comitê feminino, ou nunca mais vai me ver”, ela teria dito ao líder de estado, segundo João Pinheiro Neto.

Ao saber que a esposa vivia um affair com o presidente, o marido de Lúcia, de revólver na mão, ameaçou, dramaticamente, matar os dois. Mas nada de mal aparentemente ocorreu e o estadista continuou sua relação extraconjugal. Em um diário secreto, redigido por Juscelino até a sua morte, ele escreve o nome de Lúcia 338 vezes com os codinomes de “Espanhol”, “Constantino” e “Audiência”.

Amor e morte

O óbito de Juscelino Kubitschek, que ocorreu em um desastre automobilístico, foi um caso bastante misterioso e alvo de censura. Tanto que, no livro Memorial do Exílio, baseado nas memórias de JK, o jornalista e romancista Carlos Heitor Cony se sentiu repreendido em detalhar o episódio. 

Com os direitos políticos cassados após o golpe militar de 1964, a suspeita era que o chefe de estado tivesse sido morto pela ditadura. Supostos extermínios em moldes parecidos teriam ocorrido com João Goulart e a estilista carioca Zuzu Angel, morta em um acidente também nebuloso.

Juscelino Kubitschek / Crédito: Wikimedia Commons 

 

A família de JK - incluindo a ex-esposa, Sarah - solicitou a Cony que não detalhasse um fato específico, envolvendo suspeitas de que, momentos antes de sua morte, o estadista teria se encontrado num hotel com a amante, Maria Lúcia Pedroso. Aquele encontro teria terminado de modo fatal, quando o presidente saiu de lá e supostamente foi executado. 

O relatório da comissão de militares confirmava de fato a existência do último encontro com a amante. Porém, o fato foi negado por Maria Lúcia. E a morte foi oficializada como acidente, ainda que para a primeira-dama, que morreu em 1996, houvesse a certeza de que o marido fora assassinado.


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