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Analisado por Freud e 40 anos em manicômios: 5 fatos sobre Pedro Augusto, neto de Dom Pedro II

O herdeiro do trono acreditou, até pouco tempo antes de morrer, que seria coroado rei

Isabela Barreiros Publicado em 22/05/2020, às 09h00

Dom Pedro II e o neto, Pedro Augusto
Dom Pedro II e o neto, Pedro Augusto - Wikimedia Commons

1. Herdeiro do trono

Pedro Augusto e seus avós maternos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pedro Augusto foi criado para tomar o trono do Império no Brasil após a morte de seu avô, Dom Pedro II — mesmo sendo filho de Leopoldina. Durante muito tempo, acreditou-se que a princesa Isabel e o conde d’Eu eram estéreis e não conseguiriam conceber um filho, que seria, assim, o primeiro na linha sucessória.

O sonho, porém, não durou muito tempo: após dez anos de casamento, nasceu Pedro de Alcântara da união dos dois. Augusto não desacreditou: esperava que seu avô manifestasse seu apoio por ele, visto que o casal não tinha muita simpatia do povo brasileiro, odiado principalmente pelos latifundiários.


2. O exílio

A família imperial brasileira / Crédito: Wikimedia Commons

 

Quando a República foi proclamada no Brasil, no dia 15 de novembro de 1889, a monarquia tomou um baque. A maioria dos membros da Família Imperial teve que seguir para o exílio na França e no Império Austro-Húngaro, entre eles D. Pedro II e Teresa Cristina, Isabel, seu esposo e filhos, Pedro Augusto, e outros nobres.

Em seu diário, Maria Amanda Paranaguá Dória, a baronesa de Loreto, escreveu como Augusto foi afetado pela viagem. “Todas essas manobras só têm servido para assustar o príncipe dom Pedro Augusto, que, desde ontem, sofre de superexcitação nervosa, se acha possuído de pânico e pensa que estamos todos perdidos e não chegaremos a Lisboa. O seu estado é lastimável”, descreveu.


3. Problemas psicológicos

A verdade é que os sintomas do jovem apenas foram agravados na turbulenta viagem de navio: ele já sofria com surtos psicóticos e tendências paranoicas antes disso. No entanto, o impacto de 1889 fez com que sua situação piorasse. Para a historiadora Mary Del Priore, autora do livro O Príncipe Maldito (2006), “em 1889, já dava sinais de que estava muito doente”.

A condição afetou sua vida de maneira muito profunda. “Os psicanalistas que consultei me explicaram que a libido do psicótico maníaco-depressivo não funciona. É muito provável que ele não tivesse desejo sexual. Seu humor alternava: algumas vezes ia a várias festas, outras se enclausurava num quarto escuro. Além disso, sua doença agravou-se muito. Teria morrido virgem por essas razões”, explicou.


4. Tratamento com Freud

Pedro Augusto / Crédito: Wikimedia Commons

 

Como é possível perceber, a situação do herdeiro do trono estava muito difícil. Priore relembra que ele “passa por análises psicanalíticas quando essa ciência se desenvolvia”, ou seja, Augusto se submete a terapias que estavam crescendo na época. Estando em exílio na Áustria, chegou até mesmo a se tratar com o mais famoso dos psicanalistas, o próprio Sigmund Freud.

Dom Augusto Leopoldo escreveu em correspondência ao barão de Santa Vitória sobre a análise. "Quero agradecer a visita do jovem Doutor Sigmund Freud enviado pelo bom Dr. Jean Charcot. Na sua opinião, não havia por parte de meu irmão nenhum sintoma monomaníaco, ou de excitação descontrolada, constituindo-se unicamente de profunda depressão e infelicidade. O que sentiu é que está esgotado, recomendando, por enquanto, muito repouso”.


5. Manicômio

Depois de uma tentativa de suicídio, ao tentar se jogar de uma das janelas de seu quarto, foi internado por seu pai, Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, em um manicômio no município de Tülln an der Donau, na Áustria.

Pedro Augusto passou 41 anos internado em sanatórios. Durante todo esse tempo, ainda planejava tomar o trono do Brasil. Morreu aos 68 anos, sem ser rei, e foi sepultado em Coburgo, na Alemanha.


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