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Sintoma da desigualdade social: Relembre a descoberta dos esqueletos britânicos com 'traumas nos ossos'

Segundo os estudiosos, os mais de 300 restos mortais trouxeram informações inéditas sobre como era vida na Idade Média

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 27/01/2021, às 13h37 - Atualizado em 03/09/2021, às 10h00

Esqueleto encontrado na Inglaterra
Esqueleto encontrado na Inglaterra - Divulgação/ Universidade de Cambridge

Em janeiro deste ano, uma curiosa pesquisa publicada na revista científica American Journal of Physical Anthropology revelou dados da análise de 314 esqueletos enterrados em três diferentes cemitérios na cidade de Cambridge, na Inglaterra, entre 1100 e 1530.

Entre os resultados apontados pelo estudo, uma das teorias que mais intrigou os pesquisadores baseia-se no fato de que foram encontrados “traumas esqueléticos” na maioria dos restos mortais analisados — um sintoma da desigualdade social da época.

Todos os indivíduos estudados pelos cientistas possuíam 12 anos ou mais quando morreram. Segundo a autora principal do estudo, a arqueóloga da Universidade de Cambridge Jenna Dittmar, as pessoas que faziam parte das camadas mais pobres da sociedade inglesa sofreram com fraturas, quebras e ferimentos.

Os pesquisadores concluíram que 44% das pessoas da classe trabalhadora, que foram descobertos em um cemitério paroquial, apresentavam fraturas ósseas, sendo este o número mais elevado. 32% dos enterrados em um cemitério agostiniano, um local que contava com membros da ordem religiosa e pessoas ricas, demonstravam lesões.

O menor número foi identificado no cemitério do Hospital de St. John the Evangelista, onde 27% apresentavam trauma esquelético. Isso surpreendeu Dittmar: afinal, hospitais abrigam pessoas enfermas. Concluiu-se, portanto, que as pessoas estavam mais seguras dentro da instalação do que na rotina comum da classe trabalhadora.

Os cientistas constataram também que, do total de ossos analisados, 40% dos esqueletos masculinos sofreram lesões, enquanto a porcentagem era de 26% para as mulheres. No entanto, uma dessas chamou a atenção: foram identificadas marcas de uma possível violência doméstica, como mandíbula, costelas e pés quebrados.