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Apliques, tinturas e tranças: a curiosa saga das múmias de Amarna

Em 2014, o Projeto Amarna encontrou misteriosos restos mortais de pessoas que viveram no Egito Antigo

Victória Gearini Publicado em 02/07/2020, às 07h49

Crânio encontrado pelo Projeto Amarna
Crânio encontrado pelo Projeto Amarna - Divulgação / Jolanda Bos / Lonneke Beukenholdt

Em 17 de setembro de 2014, arqueólogos descobriram os restos mortais de uma mulher que viveu há mais de 3.300 anos atrás, em uma cidade construída no Egito. No entanto, o que intrigou os pesquisadores é que o corpo exibia um penteado com os cabelos intactos.  

Embora os arqueólogos não tenham descuberto seu nome, idade ou profissão, a misteriosa mulher foi uma das centenas de pessoas encontradas em estado de preservação semelhante. Segundo a arqueóloga do Projeto Amarna, Jolanda Bos, assim como a mulher encontrada, outros corpos apresentavam os mesmos penteados. 

Extensões capilares em um dos crânios / Crédito: Divulgação / Jolanda Bos / Lonneke Beukenholdt

 

"Um penteado muito complexo, com aproximadamente 70 extensões presas em diferentes camadas e alturas na cabeça", escreveu Jolanda Bos em um artigo publicado no Journal of Arqueologia Egípcia, em 2014. 

A cidade de Amarna

De acordo com a arqueóloga o corpo foi encontrado em uma cidade antiga que hoje em dia chama-se Amarna. O local foi construído para ser a nova capital do Egito, durante o reinado do faraó Akhenaton, entre 1353 a 1335 a.C. Este soberano foi responsável por desencadear uma revolução religiosa, ligada a Aton, uma divindade em formato de disco solar, que posteriormente influenciou muito na religião egípcia. 

Crânio com parcialmente dos cabelos preservados / Crédito: Divulgação / Jolanda Bos / Lonneke Beukenholdt

 

Akhenaton, por sua vez, mandou que a cidade de Amarna fosse construída e que imagens de outros deuses fossem destruídas. No entanto, após a morte do faraó, o local foi abandonado pelos moradores. 

Durante escavações arqueológicas realizadas na região, pesquisadores apoiados pelo Projeto Amarna, passaram a estudar cada vez mais sobre os costumes desse povo. Sob a liderança de Jolanda Bos, os especialistas puderam fazer grandes descobertas sobre esta civilização antiga. 

"Se a mulher tinha ou não o cabelo assim para o enterro é uma das nossas principais perguntas de pesquisa. O cabelo provavelmente foi modelado após a morte, antes de uma pessoa ser enterrada. No entanto, também é provável que esses penteados também tenham sido usados ​​na vida cotidiana e que as pessoas em Amarna usem extensões de cabelo em sua vida cotidiana", escreveu Bos ao Live Science, em 2014. 

Características das múmias 

Assim como a mulher encontrada por Bos, outros crânios tinham extensões capilares semelhantes, sendo a maioria feitas de cabelos grisalhos e pretos escuros, o que sugerem que muitas pessoas tenham doado seus fios para criar estas extensões capilares .

Pesquisadora Jolanda Bos ao lado da descoberta / Crédito: Divulgação / Jolanda Bos / Lonneke Beukenholdt

 

Bos disse, ainda, ao Live Science, que ao analisar 100 crânios, 28 ainda tinham cabelos e que todos apresentavam uma grande variedade de penteados e formas. Pessoas com cabelos castanhos, por exemplo, possuíam anéis ao redor das orelhas. Além disso, em geral, todos apreciavam tranças e cabelos curtos.

"Todas as tranças encontradas nos penteados eram simples e de três fios, a maioria com 1 cm de largura, com fios de aproximadamente 0,5 cm quando fortemente trançados. As tranças geralmente não tinham mais de 20 cm de comprimento, deixando o cabelo na altura dos ombros aproximadamente. O cabelo mais longo encontrado consistia em extensões de várias camadas, com um comprimento de aproximadamente 30 cm", escreveu Bos no Journal of Arqueologia Egípcia.

Traças preservadas em um dos crânios / Crédito: Divulgação / Jolanda Bos / Lonneke Beukenholdt

 

Bos escreveu em seu artigo, que provavelmente este povo tenha utilizado gordura provinda de animais para ajudar a criar e fixar os penteados e que um tecido encontrado nos crânios, possivelmente tenha sido usado para cobrir parte da cabeça.

Outro aspecto curioso analisado pelos arqueólogos, é que em um dos corpos de uma mulher, foram encontradas pigmentações alaranjadas em seus fios grisalhos, o que pode demonstrar uma preocupação com cabelos brancos. Bos disse ao Live Science que possivelmente a cor tenha sido extraída de uma planta com flores, sendo posteriormente utilizada para tingir o cabelo. 

"Pela mesma razão pela qual as pessoas pintam o cabelo hoje, para não mostrar a cor cinza", concluiu Bos ao jornal Live Science, em 2014.


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